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Linguagista

Léxico: «saloísmo»

Há por aí muito

 

      «Há aqui uma secção de intelectuais a que eu acho muita graça. E acho-lhes muita graça porque passam a vida a citar os livros, os filmes, as séries televisivas, os discos e os artigos de jornais americanos que leem, mas que, quando chega às eleições americanas, declaram, em tom superior, que essa coisa de os nossos media e os nossos colunistas (como eu) se preocuparem tanto com as eleições americanas é uma espécie de saloísmo, pois que isso é assunto da exclusiva competência dos americanos» («Os despojos da noite americana», Miguel Sousa Tavares, Expresso, 7.11.2020, p. 11).

 

[Texto 14 539]

Definição: «sopa seca». Léxico: «escoado»

Duas para uma

 

      Na rubrica «Mesa Nacional», na TVI24, na véspera de Natal, Paulo Salvador foi visitar o Salva Almas, em Maceira, São Pedro do Sul. Uma das iguarias era sopa seca. Doce, mas pouco. Seca, mas não tanto: as fatias são embebidas no caldo em que as carnes do porco cozeram. O cozinheiro, filho do proprietário, explicou que, originalmente, era uma sobremesa dos pobres feita pelo Carnaval. Não difere muito de uma rabanada: as fatias de pão são embebidas no caldo do escoado (outro termo que nenhum dos nossos dicionários regista), ao qual se juntou sumo e casca de laranja (como pudemos ver na reportagem), açúcar e canela.

      Ora, é impressão minha ou as DUAS ACEPÇÕES JUNTAS do dicionário da Porto Editora é que serviriam para obter aquele resultado? Está assim naquele dicionário: «1. doce preparado no forno com fatias de pão embebidas num caldo de limão, açúcar e outros ingredientes; 2. prato preparado no forno com fatias de pão embebidas num caldo e camadas de carnes e/ou legumes». (Ó Paulo Salvador, por amor de Deus, diz-se «pejorativo», não «perjorativo».)

 

[Texto 14 538]