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Linguagista

Léxico: «leonardesco»

Pois, à Leonardo da Vinci

 

      «O quadro, entretanto, foi alvo de restauro em Nova Iorque, pelas mãos de Dianne Modestini, que lhe acentuou os traços leonardescos muito para lá do que aconselha a ética da conservação de obras de arte. Mais ainda, a restauradora e os dois novos donos da tela forneceram escassos elementos e raras fotografias sobre os trabalhos em curso (uma das imagens foi tirada por telemóvel!), privando os especialistas de uma avaliação correcta e informada acerca da qualidade e da fidedignidade do restauro efectuado» («O estado da arte», António Araújo, Diário de Notícias, 16.01.2021, 00h16).

 

[Texto 14 624]

Léxico: «decantador»

Espantoso

 

      «Não deixe vinhos velhos durante muito tempo dentro do decantador. Deixar o vinho respirar demasiado tempo é prejudicial, afinal, passaram anos ou mesmo décadas dentro da garrafa e já estão muito evoluídos» (O Vinho na Ponta da Língua, Maria João de Almeida. Porto Salvo: Saída de Emergência, 2020, p. 85). Estranho é isto: no verbete decantador, o dicionário da Porto Editora manda-nos para decanter. Espantoso. Pretende-se promover a língua inglesa, é esse o propósito?

 

[Texto 14 623]

Léxico: «papilite»

Só em certos dicionários

 

      «Uma equipa de investigadores do Hospital de La Paz, na capital espanhola Madrid, identificou aqueles que podem ser novos sintomas da Covid-19. [...] A alteração mais comum foi a papilite lingual transitória, que é a inflamação das papilas ou pequenas saliências na superfície da língua» («Língua, mãos e pés: Há novos sintomas da Covid-19 identificados. Saiba quais», Correio da Manhã, 27.01.2021, 9h00).

 

[Texto 14 622]

Léxico: «incorrência»

Andam distraídos

 

      Isto é importante: «A decisão do coletivo de juízes presidido por Margarida Alves ocorreu na 31.ª sessão do julgamento em curso no TCCL, na sequência de um requerimento da procuradora do Ministério Público Marta Viegas, que indicou que Aida Freitas “assinou um auto sem que o conteúdo correspondesse à verdade”, apontando uma possível incursão “num crime de falsidade de documento ou falsidade de declarações”» («Football Leaks. Tribunal vai investigar inspetora da PJ», Diário de Notícias, 20.01.2021, p. 32).

      Incursão num crime? Aqui, a única incursão que vejo é a do jornalista na linguagem. Não, nada. Como é que do verbo incorrer tiram incursão, não querem explicar-nos? Se pensassem durante dez segundos, não iam por aí. O que já li vezes sem conta em textos legais e jurídicos é incorrência — que, como neologismo que vai envelhecendo, devia estar há muito nos nossos dicionários, tal a frequência de uso e a sua necessidade. Mas andam distraídos com outras coisas.

 

[Texto 14 621]

Léxico: «catástrofe | pré-catástrofe»

Como a que vivemos

 

      «Com 187 doentes com covid internados neste sábado, 17 dos quais em cuidados intensivos, e uma afluência crescente de pacientes com outras patologias, foi necessário proceder a uma sucessão de adaptações. “Passámos de 16 para 18 camas nos cuidados intensivos e, eventualmente, vamos aumentar para 19 ou 20; a unidade de pediatria foi ocupada com doentes não covid adultos; transferimos doentes para o Porto, para o Algarve e para hospitais privados. Isto já não é uma situação de pré-catástrofe, é de catástrofe”, descreve Artur Vaz» («Hospital de Loures fala de “cenário de catástrofe” e já tem doentes ventilados na urgência», Alexandra Campos, Público, 17.01.2021, 5h58).

      É claríssimo que esta acepção de catástrofe (veja-se, por exemplo, a definição da OMS) não está entre as que encontramos nos nossos dicionários. Em nenhum. E muito menos, claro, pré-catástrofe.

 

[Texto 14 620]

Léxico: «político-económico»

Tão simples

 

      Tão simples, mas não está no dicionário da Porto Editora: «Este passa do campo do discurso mais político-económico para o campo mais técnico-económico, sem deixar de ter alguns pontos mais altos de debate ideológico e político sobre o campo económico» (Portugal 1974: Transição Política em Perspectiva Histórica, Rui Cunha Martins. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011, p. 249).

 

[Texto 14 619]