02
Fev 21

Léxico: «endocanabinóide»

Só falta o endo-

 

      «Investigadores do Centro Champalimaud (em Lisboa) estudaram ratinhos com alterações na via de sinalização do sistema endocanabinóide, que exibiam deficiências motoras e cognitivas como défices de aprendizagem e de memória. Acabaram por verificar que isso também está relacionado com o estado comportamental. Os resultados são publicados esta semana na revista científica eLife» («Qual o papel dos canabinóides na aprendizagem?», Público, 20.10.2020, 8h06).

 

[Texto 14 643]

Helder Guégués às 10:30 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «sublitoral»

Alguém o esqueceu

 

      «A associação considera prioritárias verbas para a conservação do lobo-ibérico, do saramugo (peixe), das aves necrófagas, das aves estepárias, dos morcegos, dos bivalves de água doce, da flora em perigo e das turfeiras, em particular as turfeiras sublitorais» («Conservação de habitats e espécies protegidas degradou-se, diz associação Zero», Sábado, 31.01.2021). (Já agora, no bilingue em que aparece, corrijam a fonética, que não é «subnulllitoˈrale».)

 

[Texto 14 642]

Helder Guégués às 10:00 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «curiboca | pardo | cabra»

Um tratado das cores

 

      «Já nos séculos anteriores encontramos no Brasil diferenciações a partir da cor da pele, como mameluco (mistura de portugueses e índios), curiboca (mestiço de segunda geração), mulato (branco e negra), pardo (branco e mulata), cafuso (negro e índia), cabra (negro e mulata), mazombo (descendente de pai e mãe europeus) e crioulo (nascido no Brasil de pai e mãe negros/escravos)» («As cores do racismo português: do colonialismo à actualidade», Patrícia Ferraz de Matos, «P2»/Público, 31.01.2021, p. 16).

      A Porto Editora não regista curiboca, e estas específicas acepções de pardo e cabra também não as acolhe. Por outro lado (há sempre outro lado, não é?), a grafia consagrada é cafuzo e não como a autora escreveu.

 

[Texto 14 641]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «multissistema»

Casa de ferreiro

 

      «No início desta pandemia, viu-se que as crianças não eram especialmente vulneráveis à covid-19; a maioria das infecções era leve ou mesmo assintomática. Em alguns casos — menos de 0,01%, segundo estudos publicados sobre a estirpe anterior — os doentes mais novos podem sofrer uma complicação chamada síndrome inflamatória multissistema» («Com as variantes, o vírus também chega com força aos mais novos», Andrea Cunha Freitas, Público, 31.01.2021, p. 3).

      Tanto quanto sei, nenhum dicionário o regista. Temos, isso sim, «multissistémico». Contudo, até em linguística se usa o termo «multissistema».

 

[Texto 14 640]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «nim»

Se isto não é incoerência

 

      «Questionado sobre se Champalimaud usou ou foi usado por Salazar, Jaime Nogueira Pinto responde ‘nim’. “Estas coisas para correrem bem tem de ser de parte a parte, usa-se e é-se usado. Eram duas pessoas superiormente inteligentes e sabiam exatamente o que queriam.”» («“Três vezes caiu e três vezes se levantou, quando morreu tinha a primeira fortuna portuguesa”», Sandra Afonso, Rádio Renascença, 24.012021, 9h40).

      Porque não o dicionariza a Porto Editora, se até o usa num verbete? Em amálgama: «LINGUÍSTICA forma popular de neologia que consiste na criação de novas unidades lexicais a partir da fusão de duas ou mais palavras truncadas (exemplo: nim > não+sim; portunhol > português+espanhol)».

 

[Texto 14 639]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
02
Fev 21

Léxico: «queirosianista»

Nem que me expliquem

 

      «O estupendo queirosianista padre Alírio de Melo, seu autor, dá-nos a honra de consagrar algumas linhas ao estudo que publicáramos na Seara Nova» (Ensaios Queirosianos, António Coimbra Martins. Lisboa: Publicações Europa-América, 1967, p. 264).

      Não me conformo com estas arbitrariedades e incoerências: como é que se pretendeu actualizar a grafia do apelido de Eça para Queirós e, ao mesmo tempo, ressalvar-se a escrita que, por costume ou registo legal, se adopte na assinatura do nome? Mais: como é que o Eça tem de ser Queirós e, ao mesmo tempo, se respeita a grafia em Florbela Queiroz, Carlos Queiroz, Ophélia Queiroz, entre outros? Em que ficamos? No antropónimo como nos derivados, temos de respeitar o z que sempre lá esteve, e, por isso, Eça de Queiroz, queiroziano, queirozianista, etc. Isto é tão naturalmente assim, que encontramos um ou outro Eça de Queiroz na Infopédia.

 

[Texto 14 638]

Helder Guégués às 08:00 | favorito
Etiquetas: