08
Fev 21

Léxico: «glamorização | glamourização»

Sendo assim

 

      «A linha ténue entre a aceitação corporal e a “glamourização” da obesidade» (Pedro Carvalho, «P2»/Público, 7.02-2021, p. 22).

      Uma vez que a Porto Editora regista o par glamoroso/glamouroso, forçoso é que, neste caso, passe a acolher glamorização/glamourização.

 

[Texto 14 669]

Helder Guégués às 10:30 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «arraso»

Não é uma coisa extraordinária

 

      «Francisco Seixas da Costa, que foi embaixador em França entre 2009 e 2013, mostra-se “muito preocupado” com a subida de Le Pen nas sondagens. “Não estamos diante de um remake automático das eleições anteriores, onde Macron era o fator novidade diante do arraso total dos partidos tradicionais, à esquerda e à direita”, disse ao DN» («Le Pen à frente de Macron. Irá estilhaçar o “teto de vidro”?», Susana Salvador, Diário de Notícias, 5.02.2021, p. 22).

      Do lado de cá do Atlântico, parece que todos os dicionaristas se esqueceram de registar este arraso, acção ou efeito de arrasar, de destruir. O dicionário da Porto Editora apenas acolhe o arraso brasileiro, «1. popular pessoa ou coisa extraordinária, espantosa, fantástica; 2. popular grande sucesso». Sim, coisa espantosa.

 

[Texto 14 668]

Helder Guégués às 10:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «tralho»

Não é tralha

 

      «Algum dia teria de acontecer. Dou uns tralhos espetaculares. Sou daqueles que acha que não precisa de duplos para cenas arriscadas e nunca os tive (olha para mim armado em Tom Cruise). E uma simples e ridícula queda de skate deixou-me num estado em que não consigo abrir um frasco nem fazer força numa maçaneta de uma porta”, partilhou» («Manuel Marques sofre aparatosa queda e mostra sequela: “Algum dia teria de acontecer...”», Inês Santos, Hiper FM, 5.02.2021). Para a Porto Editora, porém, tralho é tralha.

 

[Texto 14 667]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «autapomorfia | intramontano»

Dentro dos montes

 

      «Este equisetum, diz Pedro Correia, era composto por “bainhas foliares singulares com uma organização heliotrópica e representam uma novidade evolutiva (autapomorfia) para os Equisetales”. Essas bainhas foliares funcionavam basicamente como “painéis solares” onde as folhas estavam orientadas para o Sol a fim de maximizar a captura de luz para a fotossíntese da planta primitiva. “Esta morfologia funcional é o resultado de uma adaptação evolutiva das plantas residentes às condições climáticas e ecológicas restritas aos ambientes intramontanos da Bacia do Douro”, explica o paleontólogo» («Fóssil de planta [Iberisetum wegeneri] com 300 milhões de anos descoberto em S. Pedro da Cova», Alfredo Teixeira, Jornal de Notícias, 5.02.2021, 12h47).

 

[Texto 14 666]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «vermelho-sangue»

A cor, a ave, o erro

 

      «Uma aldeia da Indonésia foi inundada por água de cor carmesim, depois de uma torrente ter atingido um centro de tingimento de tecidos no centro de Java. O acontecimento está a gerar frenesim nas redes sociais. [...] Moradores de Jenggot, perto da cidade de Pekalongan, foram vistos a nadar nas águas vermelho-sangue no sábado, e muitos partilharam online imagens do fenómeno, adianta a agência France Press. A chuva arrastou os pacotes de corante e a água das ruas ficou com cor vermelho carmesim» («Indonésia com inundações em tom carmesim causa frenesim nas redes sociais», Catarina Maldonado Vasconcelos, TSF, 7.02.2021, 10h03).

      A Porto Editora guardou-o apenas num dicionário bilingue, rosso sangue di bue. Aliás, acho que está errado, são cores diferentes. Chamem um técnico da CIN. Seja como for, também lhe falta sangue-de-boi, a avezinha brasileira, Ramphocelus brasilens.

 

[Texto 14 665]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (2) | favorito
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08
Fev 21

Léxico: «visualizador | negatoscópio | alvo»

O alvo de sempre

 

      Tecnicamente, o nome é negatoscópio, mas, como no original estava X-ray viewer, o tradutor verteu por «visualizador de raios-x». Problema: não encontramos o termo visualizador no dicionário da Porto Editora — embora esteja num texto da apoio da Infopédia, noutra acepção. As já conhecidas pontas soltas. Eu até pensava que o nome que tinha era «caixa de luz». Enfim, também a definição de negatoscópio me parece no mínimo obscura: «alvo luminoso para exame de radioscopias». Onde está este alvo, pode saber-se?

 

[Texto 14 664]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (2) | favorito
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