15
Fev 21

Léxico: «subchefe»

O habitual

 

      «João [Teixeira Gomes] orgulha-se de saber identificar talentos, mesmo quando ainda quase ninguém os valoriza. É por isso que lhe dá um especial prazer, quando visita um restaurante, pedir para conhecer o sous-chef. São estes as estrelas do futuro e, como uma espécie de caça-talentos, João gosta de ser o primeiro a dar por eles» («João tem sempre uma boa razão para dizer “não gostei” a um chef», Alexandra Prado Coelho, «Fugas»/Público, 13.02.2021, p. 8).

      Veja o leitor noutros dicionários, faça qualquer coisinha. No dicionário da Porto Editora, se temos chefe de cozinha («cozinheiro profissional, geralmente encarregado da direcção da cozinha de um restaurante ou um hotel»), os subchefes só estão em esquadras ou quartéis («1. empregado ou funcionário policial imediatamente inferior ao chefe; 2. militar, ou elemento de forças militarizadas, auxiliar directo de um chefe»). Imagino que esteja na hora de corrigir este erro.

 

[Texto 14 694]

Helder Guégués às 10:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «poligrafar»

Só em dicionários de verbos

 

      «Quando Nixon, no poder, o pressionou a utilizar o fisco para atingir adversários, recusou terminantemente. Quando Ronald Reagan submeteu centenas de funcionários governamentais ao teste do polígrafo, Shultz tornaria a distinguir-se pela recusa. “O minuto em que não sentir a confiança da presidência é o minuto em que saio da presidência”, assegurou à imprensa. Em privado, não seria menos direto, deixando claro a Reagan: “Sr. Presidente, só me poligrafará uma vez. Depois, terá de arranjar outro secretário de Estado.” Reagan recuaria e, mais tarde, viria a condecorá-lo com a medalha da Liberdade» («Obituário do Fiel Jardineiro», Sebastião Bugalho, Diário de Notícias, 11.02.2021, p. 23).

 

[Texto 14 693]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (1) | favorito
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Definição: «colaboracionismo»

Pois é...

 

      «Na verdade, Mega é um mestre a disfarçar-se atrás de lugares comuns [sic] e de frases de salão destinados à fácil missão de convencer os convencidos. Mas, também, e sobretudo, a convencer-se e a iludir-se (nomeadamente, de que o seu colaboracionismo nunca existiu)» («25 de Abril: um apóstolo do socialismo», João Pedro George, Sábado, 11-17.02.2021, p. 78).

      Desconhecia — desconhecíamos todos, pelos vistos — o verdadeiro currículo de António Mega Ferreira. Muito interessante... Bem, mas agora é tarde de mais. Depois de uma vida (ou duas) entre mordomias proporcionadas pela proximidade ao poder, nada se pode fazer. Façamos nós algo pela língua. Colaboracionismo, diz o dicionário da Porto Editora (e nenhum diz coisa diferente), é «1. política de colaboração com forças ocupantes de um determinado país; 2. atitude dos apoiantes dessa colaboração». Bem, não se aplica ao caso. A solução vai o leitor menos desprevenido encontrá-la na segunda acepção de colaboracionista do mesmo dicionário: «que ou pessoa que colabora com uma determinada situação política». Ah, afinal não é apenas a atitude do que colabora com forças ocupantes de um determinado país. No caso, era com o regime salazarista-marcelista. Recordar, como se sabe, é uma actividade perigosa.

 

[Texto 14 692]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito

As confusões habituais

Como se não houvesse dicionários

 

      Erro que se vê muito: «A enfermeira Margarida Rodrigues diz à SÁBADO que os “atropelos” eram espectáveis» («Como falhou o plano de vacinação», Marco Alves, Lucília Galha e Margarida Davim, Sábado, 11-17.02.2021, p. 32). Um dos três podia ter comprovado que não é assim. Temos espectável e expectável. No contexto, o que se esperava era expectável — que se pode esperar; provável. Já espectável é o digno de ser visto; notável.

 

[Texto 14 691]

Helder Guégués às 08:30 | favorito
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15
Fev 21

Léxico: «macaco-esquilo | macaco-de-cheiro»

Também os temos por cá

 

      Não sei se os há no Jardim Zoológico de Lisboa, mas na reserva animal Monte Selvagem, em Lavre, Montemor-o-Novo, podem ver-se cinco macacos-esquilos (Saimiri sciureus e Saimiri boliviensis), também conhecidos como macacos-de-cheiro, saimiris e bocas-negras. O dicionário da Porto Editora só regista estes últimos dois nomes.

      Já vi: sim, há-os também no Zoo. Aparecem com o nome saimiri-da-bolívia (Saimiri boliviensis).

 

[Texto 14 690]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (2) | favorito
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