23
Fev 21

Léxico: «ictioplâncton»

Que estranho

 

      «“Lembro-me, no início, de começar a trabalhar com ascídias e com esponjas, estive no Museu de História Natural em Paris, na altura com o professor Luiz Saldanha. Mais tarde, houve um projecto que foi financiado pela UNESCO para o estudo do estuário do Tejo, em que o professor Luiz Saldanha me propôs estudar o ictioplâncton, que era uma coisa que ninguém fazia em Portugal, estudar os ovos e as larvas dos peixes. Agarrei isso com as mãos todas e, no fundo, foi o que fez com que me interessasse mais tarde pelas questões relacionadas com as pescas”, resume o biólogo [Pedro Ré]» («Do mar ao céu, “foi sempre a fotografia” que moveu Pedro Ré», Nicolau Ferreira, Público, 21.02.2021, p. 24).

      Parece-me que não está, inacreditavelmente, em nenhum dicionário de língua portuguesa.

 

[Texto 14 727]

Helder Guégués às 10:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «neomudéjar»

Tem o mesmo direito

 

      «Foram as obras realizadas em 1928 por um arquitecto de gosto regionalista, Vicente Traver, que ao converter o edifício num hotel ocultou o hammam almóada sob uma intervenção que parecia neomudéjar mas que mais não era do que a conservação da verdadeira arquitectura mudéjar do período islâmico, que em Sevilha se prolongou até 1248» («Um bar em Sevilha escondia banhos árabes há muito perdidos», Isabel Salema, Público, 19.02.2021, p. 34).

 

[Texto 14 726]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «imunoestimular | imunoestimulação | imunoestimulador»

Pelo menos três

 

      «Em comunicado, a academia refere, entre outros dados, que foi analisada a bioatividade das fibras de brócolo. Os “polissacarídeos pécticos foram extraídos, fracionados e caracterizados, e a sua atividade imunoestimuladora foi avaliada por incubação in vitro. Após algum processamento, comprovou-se que os polissacarídeos pécticos, como ingredientes funcionais, melhoram a função imunológica e promovem a saúde”» («Brócolos, o superalimento que pode ser usado na produção de bioplásticos», Zulay Costa, Jornal de Notícias, 17.02.2021, 13h32, itálico meu).

      O que significa que estão ausentes dos dicionários pelo menos três vocábulos da mesma família: imunoestimular, imunoestimulação e imunoestimulador.

 

[Texto 14 725]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «almagre | almagra»

Trapalhada?

 

      Porque ainda é uma dúvida. «É compreensível que o Facebook se tenha enchido de partilhas com a descoberta de um hammam que esteve escondido aos olhos de todos durante séculos num bar de tapas sevilhano do famoso bairro de Santa Cruz. [...] As pinturas foram executadas em almagre, um pigmento vermelho aplicado sobre cal branca» («Um bar em Sevilha escondia banhos árabes há muito perdidos», Isabel Salema, Público, 19.02.2021, p. 34).

      Bacoreja-me que os nossos dicionários é que estão errados, pois afirmam (valha por todas a definição do dicionário da Porto Editora) que almagre é a «argila vermelha que se emprega em pinturas grosseiras». No Michaelis, porém, diz-se que é o «ocre vermelho que se emprega em pinturas grosseiras, usado como corante e para lustrar a prata, polir espelhos etc.» — além de que regista a variante almagra, o que a Porto Editora não faz. O meu palpite? Acho que há confusão entre as duas primeiras acepções.

 

[Texto 14 724]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (2) | favorito
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23
Fev 21

Como se escreve por aí

Só vejo um erro

 

      «Voltamos à relação bilateral e percebe-se como Portugal é tão especial para o diplomata, que fala com gosto das Descobertas, nota que Juan de Fuca, que navegou na costa ocidental do Canadá ao serviço de Filipe II, era um grego, tal como havia gregos na frota de Magalhães, um deles, de Chios, um dos 18 que regressaram com Elcano a Espanha, fazendo a circum-navegação. Também a língua portuguesa lhe é querida, notando que talvez 30% das palavras tenham origem grega, e nem sempre as óbvias, mas também, por exemplo, “assintomáticos”, que até pronunciamos igual» («“Um alentejano combateu na guerra da independência grega”», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 20.02.2021, 00h26).

      Só é pena o nome da ilha, que é Quios. Chios é coisa de ratos, Leonídio Paulo Ferreira.

 

[Texto 14 723]

Helder Guégués às 08:00 | favorito
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