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Linguagista

Léxico: «multiclube»

A invenção não pára

 

      «A empresa-mãe do Manchester City detém participações em 11 clubes em cinco continentes e tem uma folha salarial de 400 jogadores. Esta é a nova realidade do futebol-negócio em que vários clubes são unidos pelo(s) mesmo(s) dono(s). São os chamados multiclubes ou clubes irmãos e cresceram mais de 100% em cinco anos nas cinco principais ligas europeias, segundo um relatório do CIES – Centro Internacional de Estudos do Desporto» («Os novos impérios do futebol. Multiclubes crescem e multiplicam-se», Isaura Almeida, Diário de Notícias, 3.03.2021, p. 24).

 

[Texto 14 776]

Léxico: «vírus defectivo»

Não são apenas os verbos

 

      «Machado explica que a ideia é produzir o que os especialistas chamam de vírus defectivo. Nessas condições, o parasita infecta algumas células, faz com que elas produzam determinada proteína a partir do material genético que carrega, mas não consegue dar o passo seguinte, que seria a produção de novas partículas virais e a invasão de mais células. Mesmo assim, essa infecção, denominada abortiva, já seria o suficiente para desencadear uma reação do sistema imunológico do organismo contra moléculas estranhas típicas do vírus. É aqui que entraria a informação genética do Sars-CoV-2, o novo coronavírus» («Vírus da gripe é testado em vacina por brasileiros», Reinaldo José Lopes, Folha de S. Paulo, 12.04.2020, p. B5).

 

[Texto 14 775]

As «redes sociais»

A praga dos nossos dias

 

      Ah, as «redes sociais»... Agora na quarentena ainda é pior. E aquelas alminhas acéfalas que andam em toda a rede à cata de notícias necrológicas para aporem o seu selo piedoso — «Os meus sentidos pêsames k descanse em paz» —, que dizer delas? Talvez substitua o psicólogo. Ou, como me parece mais provável, seja apenas um sucedâneo da bisbilhotice estéril e estúpida de sempre.

 

[Texto 14 774]

Plural: «estêncil»

A doutrina divide-se

 

      Divide-se, mas não exactamente ao meio. «Apenas poucas horas antes, o misterioso artista postou no Instagram um vídeo em que usa estênceis e latas de spray para pintar as paredes e janelas de vagões do metrô de Londres» («O recado de Banksy a favor do uso de máscaras», Deutsche Welle, 15.07.2020).

      Não se usa muito, sobretudo o plural. Pois, mas quando é preciso... O dicionário da Porto Editora não indica qual o plural de estêncil (aportuguesamento que se vê com frequência em traduções); o ILTEC jura a pés juntos que flexiona como «funil», logo, «estêncis».

 

[Texto 14 773]

O que aí vem

Agora sim

 

      «A escritora Marieke Lucas Rijneveld recuou e desistiu de traduzir para holandês o poema recitado por Amanda Gorman na cerimónia da tomada de posse do presidente norte-americano Joe Biden. A decisão foi anunciada via rede social Twitter, depois de uma onda de críticas por a editora ter escolhido uma mulher branca para traduzir o trabalho de uma negra» («Marieke Lucas Rijneveld desiste de traduzir poema de Amanda Gorman por não ser negra», Sónia Simões, Observador, 2.03.2021, 3h23).

      Olha se a moda paranóica chega cá. As editoras vão ter de alargar o quadro de colaboradores. A obra foi escrita por um homossexual? Chama-se um tradutor homossexual. O autor é negro? Venha de lá um tradutor negro. A autora é judia? Abram o ficheiro de tradutoras judias. Etc. Um tradutor causasiano heterossexual corre o risco de ficar sem trabalho. E se isto chega aos revisores?

 

[Texto 14 771]