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Linguagista

Léxico: «sargenta | oficiala | majora | coronela»

Pelo menos três

 

      «As formas femininas de patentes e funções militares, além de reservadas às esposas dos respetivos (e.g. sargenta, oficiala, majora, coronela), fazem parte do registo coloquial e têm conotações muito pejorativas; por isso, na comunicação formal, mantêm-se as formas masculinas para as mulheres militares» («As mulheres e o nome das atividades que exercem», Margarita Correia, Diário de Notícias, 8.03.2021, p. 28).

      No dicionário da Porto Editora, nem sequer um encontramos. Noutros, chegamos a encontrar três.

 

[Texto 14 799]

Definição: «macaron»

Isso é amalgamar tudo

 

      «Se Maria Antonieta fosse viva, certamente tomaria o seu chá aqui, acompanhado de dois ou três macarons, como boa apreciadora de pastelaria fina que era» («Ladurée em Lisboa. Este salão de chá não tem só macarons», Mauro Gonçalves, Observador, 27.10.2017, 16h09).

      Se fosse viva, com 266 anos, talvez já não comesse tais doçarias. Acho eu. Macaron, diz a Porto Editora (que, por qualquer motivo, não o grafa em itálico), é o «pequeno doce arredondado, à base de pasta de amêndoas, clara de ovo e açúcar, que possui recheio e pode apresentar diversos sabores (baunilha, café, chocolate, etc.)». Certo e errado: a parte do recheio só é verdade quanto ao macaron parisiense, fait de deux parties superposées liées par une garniture de crème, de confiture, etc.

 

[Texto 14 798]

Como se escreve por aí

E não admira

 

      «A obra [As Viagens de Gulliver], saída da criativa do irlandês Jonathan Swift, deixou mais do que um testemunho escrito das deambulações de Lemuel Gulliver, cirurgião, mais tarde capitão de diversos navios (como o documentava o título original do livro)» («Pauline Baynes, a mulher que emprestou rigor cartográfico ao mundo de Tolkien», Jorge Andrade, Diário de Notícias, 8.03.2021, p. 14).

      Nunca vi tal, e não admira — não existe. O que temos é imaginativa, a faculdade de imaginar, fantasia, e inventiva, a faculdade de inventar. Um dicionário ajudava, não?

 

[Texto 14 797]

Léxico: «ouro | prata | bronze»

E são comuns

 

      «O seu ano de glória foi 2006, em que saiu do Campeonato Africano de Atletismo, em Maurício, com três ouros e duas pratas, nos 100 e 200 metros e em estafeta 4x100 metros. No ano seguinte, conquistou ouro, prata e bronze em 4x100, 200 e 100 metros, nos All Games Africa, na Argélia» («Vida Anim», África González, Audácia, Abril de 2021, p. 57).

      No sentido, respectivamente, de prémio atribuído ao primeiro e ao segundo classificados numa competição não acolhes estas acepções de ouro e prata, Porto Editora. Nem a de bronze.

 

[Texto 14 796]

Léxico: «viremia»

E a lógica é?...

 

      «A porta de entrada do Sars-CoV-2 no sistema nervoso central é o nariz, ou seja, quando inalamos o vírus e ele chega ao bulbo olfativo. “As vias de entrada alternativas incluem transporte através da barreira hematoencefálica [membrana protetora e reguladora do sistema nervoso central], após viremia [vírus no sangue], ou através de leucócitos [glóbulos brancos] infetados”, lê-se na The Lancet de 1 de setembro. Uma vez no sistema nervoso central, o vírus provoca reações inflamatórias – algumas já conhecidas (perda de paladar ou de olfato), outras menos» («O ataque do coronavírus ao cérebro», Marco Alves, Sábado, 7.03.2021, 9h59). Então, hematoencefálico no dicionário geral e viremia no dicionário especializado? E a lógica é?...

 

[Texto 14 795]