Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Por exemplo, «deflagrar»

Entre outras

 

      Aqui está muito bem. «Com o deflagrar da Segunda Guerra Mundial, Pauline emprestou o seu talento ao serviço dos britânicos» («Pauline Baynes, a mulher que emprestou rigor cartográfico ao mundo de Tolkien», Jorge Andrade, Diário de Notícias, 8.03.2021, p. 14).

      Esqueçam lá «eclosão». Não disse Napoleão Mendes de Almeida que era «galicismo vogante e enervante»?

 

[Texto 14 826]

Definição: «pretura»

Se é igual

 

      Outro mistério, Porto Editora: porque é que pretor é termo da História e pretura termo antiquado? Qual a lógica disso? Mais: se questura é «1. cargo do questor; 2. duração desse cargo», como é que pretura é o «cargo e dignidade de pretor»? Elementar e tantas vezes esquecido, na lexicografia e na (puta da) vida: tratar de forma igual o que é igual.

 

[Texto 14 825]

Definição: «busca-pólos»

Então pensemos

 

      «José Cascais sai da carrinha apetrechado com um busca-polos com mais de um metro e com umas luvas especiais, que o protegem da corrente elétrica, e com a máscara, que o protege do SARS-CoV-2. Entre o perigo de mexer em redes elétricas e o risco de contágio da covid-19 continua a ter mais medo da eletricidade» («Os homens que nos garantem a luz em tempos obscuros», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 8.03.2021, p. 20).

      A Porto Editora diz que se trata de um utensílio. Eu acho que é um instrumento. Não o podemos comparar com um voltímetro, por exemplo? Ora, a Porto Editora diz deste que é um instrumento.

 

[Texto 14 824]

Léxico: «nigero-americano»

Não ajuda nada

 

      «A conferência, que teve lugar no final de Maio, reuniu cerca de 400 empreendedores internacionais que riram, assobiaram, tiraram fotografias e aplaudiram de pé a nigero-americana​ [Jessica O. Matthews] durante a sua intervenção» («Aos 22 anos, Jessica O. Matthews teve uma ideia que mudou vidas. E tudo começou com uma bola de futebol», Teresa David, Público, 6.03.2019, 10h04).

      Sei (bem) como muita gente pensa (mal). Se só encontram nos dicionários nigero-congolês, ficam logo atarantados e a andar ó tio, ó tio. Ainda na segunda-feira revi um texto de uma jornalista que escreveu «nigeriana-americana».

 

[Texto 14 822]

Léxico: «foundry»

Parados no tempo

 

      «“Construir uma foundry [fábrica de circuitos integrados, ou fab como é designada na gíria da indústria] demora dois ou três anos”, sublinha o mesmo investigador [Marcelino Santos, professor e coordenador científico da área de electrónica no Departamento de Engenharia e Electrotécnica e Computadores do IST]. E é “improvável que a procura de semicondutores caia no curto prazo”» («Falta de chips atinge mais sectores e pode encarecer a electrónica», Victor Ferreira, Público, 15.03.2021, p. 24).

      Pois, isso mesmo se lê nos dicionários de língua inglesa, que é «a factory that produces microchips». Infelizmente, nos nossos dicionários bilingues continuará a ser, até ao fim dos tempos, apenas uma fundição.

 

[Texto 14 821]