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Linguagista

Tradução: «proxy war»

Voltamos para trás?

 

      «Havia e há potências nucleares em confronto direto e indireto nesta grande proxy e, a bem de todos, menos dos sírios, o impasse mantém-se» («Síria: 10 anos de Bashar a Bashar», Raúl M. Braga Pires, politólogo e arabista, Diário de Notícias, 15.03.2021, p. 21).

      Talvez não tivesse importância se estivesse numa tese ou escrito académico, mas não é assim num jornal. Seja como for, não se devem sempre preferir vocábulos e expressões portugueses aos de qualquer outra língua? Ora, parece-me estar já bem divulgada a expressão «guerra por procuração». Entre outras possíveis, impôs-se. (Sim, lembro-me de aqui termos debatido a questão. Quando podia haver debate, agora as manifestações, mais ou menos subtis, de ódio e outros sentimentos indignos minaram toda a possível confiança. Esperem, como é que se diz? Ah, sim: prò caralho.)

 

[Texto 14 838]

Léxico: «sanjaque»

É da Turquia

 

      «Arredado um pouco da cidade, junto da entrada, estão umas covas e tendas, habitadas de muitas ciganas, que ali vivem por suas pessoas e gentilezas, e não as há nem consentem por nenhuma outra porta, às quais pode ir todo género de gente, mouro ou cristão, sem lhe[s] fazerem por isto nada, e têm este privilégio por certo tributo que pagam ao sanjaque» (Viagens por Terra da Índia a Portugal, António Tenreiro e ‎Mestre Afonso. Introdução e notas de ‎Neves Águas. Lisboa: Publicações Europa-América, 1991, p. 203).

      Outro que levou sumiço. Também o encontramos com a grafia — muito menos recomendável, dada a etimologia — sanjiaco. Encontramos, mas não nos dicionários.

 

[Texto 14 836]

Léxico: «inconteste»

Dois sentidos

 

      «Aliás, o ilustre Sapo descobriu monstruoso plágio na curta produção poética do Gato, e ninguém põe em dúvida afirmação do Sapo Cururu, autoridade inconteste» (O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, Jorge Amado. Lisboa: Publicações D. Quixote, 2011, 11.ª ed., p. 88). Porto Editora, desclassificada por falta de comparência.

 

[Texto 14 834]

Definição: «antipapa»

Já houve mais de trinta

 

      Antipapa, diz a Porto Editora, é «pessoa que age como papa, em oposição ao sumo pontífice legitimamente eleito». Confesso que nunca me aconteceu levantar-me um dia e agir como papa. Pelo menos, até hoje. O que me parece é que a definição do Collins é muito, mas muito mais atilada: «a rival pope elected in opposition to one who has been canonically chosen». É evidente que a tónica da definição não pode estar na eleição: ambos, papa e antipapa, são eleitos.

 

[Texto 14 833]