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Linguagista

Léxico: «encaixável»

Estes cabem todos

 

      «Jeanne-Marie granjearia notabilidade, para além da escrita, ao lhe ser atribuída a autoria dos primeiros quebra-cabeças ou, preferindo-se, na sua versão moderna, os puzzles. A autora poria as suas peças encaixáveis ao serviço da pedagogia. Num mundo governado por impérios, a cartografia do século XVIII passou a servir como repertório visual e base para a criação dos primeiros quebra-cabeças, destinados a educar as crianças das classes mais favorecidas, a quem, desta forma, era apresentada uma organização do mundo político» («“Mapas dissecados”, um quebra-cabeças com três séculos», Jorge Andrade, Diário de Notícias, 22.03.2021, p. 13).

      A versão moderna do quebra-cabeças são os puzzles, diz? É uma maneira de dizer assaz estranha.

 

[Texto 14 864]

Léxico: «mapa dissecado»

Quais cadáveres

 

      «Em 1766, John Spilsbury apresentou o seu primeiro “mapa dissecado”, ao fixar o mapa-múndi numa prancha. Seguiram-se-lhe quebra-cabeças temáticos. Europa, Ásia, África, América e País de Gales davam mote, sob a forma de puzzles, a um negócio que prosperou nas mãos do homem que recebera ensinamento de Thomas Jefferyes, geógrafo real do rei Jorge III» («“Mapas dissecados”, um quebra-cabeças com três séculos», Jorge Andrade, Diário de Notícias, 22.03.2021, p. 13).

      Isto é deveras interessante. Já aqui voltaremos, aos mapas dissecados (dissected maps), brevemente para acrescentar alguma coisa.

 

[Texto 14 863]

Léxico: «tetradracma»

Sugiro psicoterapia

 

      «E não devias guardá-la assim num saco. Deus do Céu, este é um tetradracma, aproximadamente de 420 antes de Cristo, e provavelmente valerá alguns milhares de dólares» (Estrelas da Fortuna, Nora Roberts. Tradução de Isabel C. Penteado. Porto Salvo: Chá das Cinco, 2020, p. 69).

      No dicionário da Porto Editora, nem vestígios disto. Em bilingues, ora dizem que é tetradracma, ora tetradracmo. Andam a tentar encontrar-se. Sugiro psicoterapia.

 

[Texto 14 862]

Canal de Suez

Desactualizado? Errado

 

      «A circulação de navios no Canal do Suez, uma das mais importantes vias do comércio internacional, está suspensa desde esta terça-feira, devido a um navio porta-contentores encalhado. [...] O canal de Suez é uma das vias navegáveis mais importantes do mundo. Tem 190 km de comprimento e liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e às rotas marítimas para o continente asiático» («Cargueiro encalhado no Canal do Suez suspende circulação de embarcações», Rádio Renascença, 24.03.2021, 00h03).

      A Infopédia, por seu lado, assegura que «o canal tem cerca de 162 km de extensão». Fio-me mais, sem ofensa, nos dados da Autoridade do Canal de Suez, que afirma que em 2015 o canal tinha 193,30 quilómetros. É que o canal tem vindo a ser prolongado, estendido. Seja como for, na data da inauguração, em 1869, já tinha 164 km. (Eça de Queiroz, lembram-se?, tinha então 23 anos e assistiu à inauguração, a 17 de Novembro, a convite do amigo e futuro cunhado D. Luís de Castro Pamplona, conde de Resende.) Ou seja, Porto Editora, o canal só teve 162 km antes de estar terminado.

 

[Texto 14 861]

Léxico: «hemato-oncologia»

Fora do dicionário? Não pode ser

 

      «Graça Esteves, médica no Centro Hospitalar Lisboa Norte no serviço de hemato-oncologia, explica que a doença evolui ao longo de anos, de forma não conhecida, e que só começa a apresentar sintomas quando já está bastante avançada» («Mieloma múltiplo: uma doença rara de cancro do sangue, silenciosa e com sintomas vagos», SIC Notícias, 23.03.2021, 10h21).

 

[Texto 14 860]

Linguagem: «vacinódromo»

É só esperar

 

      Eu não disse que estas não iam ter fim? «Em declarações ao canal BFMTV, a ministra da Indústria, Agnès Pannier-Runacher, afirmou que a França vai abrir 35 grandes centros de vacinação "nos próximos dias". Isto depois de o governo ter recusado criar esse tipo de infrastrutura [sic], os chamados ‘vacinódromos’, depois do fracasso deste tipo de centros para vacinação em massa durante a pandemia de H1N1, em 2009» («Emanuel Macron não dá férias às vacinas. França vai abrir 35 vacinódromos», Rita Costa, TSF, 23.03.2021, 13h45).

 

[Texto 14 859]