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Linguagista

Léxico: «capitã»

Então pensem nisto

 

      «O incidente com um navio-cargueiro que, esta terça-feira, ficou encalhado no canal Suez teve um impacto mundial na economia mundial. Ponto de passagem de dezenas de embarcações de carga por dia, não demorou muito até que se tentasse encontrar o responsável pelo bloqueio daquela passagem marítima. No WhatsApp, o recorte de um artigo do jornal saudita Arab News, partilhado milhares de vezes nas últimas horas, apontava o dedo a Marwa El Selehdar — a primeira mulher egípcia a tornar-se capitã de navio no país. Mas a acusação é falsa» («Fact Check. Primeira mulher egípcia capitã de cargueiro foi responsável por bloquear canal do Suez?», Pedro Raínho, Observador, 25.03.2021, 16h13).

      Nem quero acreditar que considerações de ordem extralinguística continuem a barrar o caminho destas palavras para os dicionários. Sim, estas, capitã, capelã, etc., que já aqui vimos. Mais: essas considerações extralinguísticas não têm em conta, decerto inadvertidamente, a repetida presença destes termos na nossa imprensa e na literatura traduzida. Não concebo como não vêem isto.

 

[Texto 14 878]

Léxico: «blanquismo | blanquista»

Esquecemos a História?

 

      «Sob o impacto da catástrofe, Louise Michel foi-se decepcionando da organização blanquista e acabaria finalmente por virar-se para o anarquismo. No dia-a-dia da Comuna, ela foi o símbolo mais conhecido de uma inédita participação política das mulheres» («150 anos depois. Louise Michel, símbolo da Comuna de Paris», António Louçã, RTP Notícias, 18.03.2021, 21h22).

 

[Texto 14 876]

Léxico: «veirense»

O resto não é paisagem

 

      «A Câmara de Estremoz recuperou o Palácio dos Coutinhos, propriedade do município, na freguesia de Veiros, para instalação da sede da Sociedade Filarmónica Veirense e criação de um auditório, foi ontem revelado» («Estremoz. Palácio dos Coutinhos está recuperado», Diário de Notícias, 25.03.2021, p. 19).

 

[Texto 14 875]

Definição: «reinfecção»

Assim tão simples?

 

      A todos já nos ocorreu perguntar o que é uma reinfecção. No contexto do novo coronavírus, é isto: «Ocorre quando uma pessoa que já esteve infectada conseguiu recuperar e volta a ficar infectada. “A reinfecção é definida através da confirmação laboratorial de duas infecções por duas estirpes diferentes, com episódios de infecção separados num determinado período de tempo. Nos coronavírus sazonais, este período é habitualmente de 90 dias”, segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS)» («Das reinfecções raras às infecções após a vacina: porquê entendê-las?», Teresa Sofia Serafim, Público, 27.03.2021, p. 46).

      Em geral, uma reinfecção é uma «infecção repetida», como a define a Porto Editora. Será assim tão simples? O Merriam-Webster afirma que é uma «infection following recovery from or superimposed on infection of the same type».

 

[Texto 14 874]

Léxico: «microtransacção»

Vai-se tornando habitual

 

      «Desenvolvido pela Lucid Games em exclusivo para a PS5, este título apresenta-se como um jogo de desporto. E embora possa parecer, aqui e ali, um jogo de futebol entre equipas argentinas e brasileiras não é mais do que uma arena de destruição de carros, com velocidade estonteante, adrenalina capaz de provocar overdoses e umas quantas microtransações» («Playstation Plus de fevereiro com quatro títulos grátis (dois deles para a PS5», O Jogo, 4.02.2021, 8h18).

      É estranho que o termo ainda ande arredado dos dicionários, pois é comum no mundo dos videojogos e começa a ser normal no mundo automóvel. Ainda recentemente li que o jornalista Jake Groves publicou no Twitter a sua experiência com um BMW 530e: quando tentou ligar o assistente de máximos, deparou com uma mensagem que o informou de que teria de comprar a funcionalidade na loja ConnectedDrive da BMW. Não faz a Tesla o mesmo?

 

[Texto 14 873]