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Linguagista

Léxico: «docimológico»

Doença súbita

 

      «A falta de estudos docimológicos entre nós tem levado muita gente a escrever afirmações muito imprecisas acerca do problema dos exames» (As Ideias Pedagógicas de F. Adolfo Coelho, Rogério Fernandes. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Gulbenkian de Ciência, Centro de Investigação Pedagógica, 1973, p. 375).

      Apesar de tudo, a ausência do adjectivo docimológico no dicionário da Porto Editora tem causado menos estragos, mas não deixa de ser grave, pois que acolhe docimologia. Até parece que, ao longo de muitos anos, foram acometidos, sucessivas vezes, de doença súbita em pleno trabalho. Agora é recuperar.

 

[Texto 15 031]

Léxico: «conselheiro-chefe»

Tem o mesmo direito

 

      «Dominic Cummings, de 49 anos, saltou para a ribalta depois de ter sido o diretor da Vote Leave, a organização que fez campanha a favor do Brexit no referendo de 2016 e da qual Boris Johnson foi o principal rosto. Antigo assessor e chefe de gabinete de Michael Gove, quando este foi ministro da Educação (2011-2014), tornou-se conselheiro-chefe de Johnson depois de este chegar a primeiro-ministro, em 2019, tendo tido também mão na campanha que deu a vitória eleitoral ao Partido Conservador» («Dominic Cummings: do Brexit ao n.º 10», Susana Salvador, Diário de Notícias, 27.04.2021, p. 20).

 

[Texto 15 030]

Como se escreve nos jornais

Implodir a língua

 

      «Mas depois lembra-se que há pouco mais de um mês o PM se disse preocupado com a “visão autoflageladora da nossa história”, “as guerras culturais em torno do racismo e da memória histórica” e o risco delas para a “identidade nacional” – para não falar do facto de ainda em 2017 o presidente ter visitado o ex-entreposto esclavagista de Gorée e afirmado que Portugal foi o primeiro país a abolir a escravatura (o comprovativo clássico de que “nós até fomos os bons”)» («Implodir o padrão dos descobrimentos», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 20.04.2021, p. 14).

      Cada um implode o que pode. Há quem o faça com as convenções mais inócuas, mas sem discussão, da língua. Tudo minúsculas, «história», «padrão dos descobrimentos», etc. Vá lá, ainda escrevem o próprio nome — o que me parece uma tremenda vaidade — com maiúscula, mas de resto a rasoira está sempre em acção. Ah, sim, a apropriação colonialista de topónimos estrangeiros também se tornou, da noite para o dia, execranda. Goreia? Qual quê! Agora temos de respeitar os povos (os outros, não o nosso), é Gorée. Espera... mas Gorée é francês...

 

[Texto 15 029]

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