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Linguagista

Léxico: «microrrobô | nanorrobótico»

Mais sistematização

 

      «Segundo a Popular Science, os cientistas já há alguns anos que estão a investigar os nanorrobôs como veículos precisos de entrega de medicamentos. A novidade destes novos modelos é o tamanho. O investigador Zhang Li explica que “um microrrobô é como um veículo que envia as drogas diretamente para a área afetada. Queria desenhar um camião e não um carro”, referindo-se ao tamanho maior dos seus modelos, que são capazes de entregar medicamentos em quantidades suficientes nas zonas que deles precisam» («Nanorrobôs magnéticos: uma nova forma de administrar medicamentos», Exame Informática, 26.09.2013, 9h40).

      E essa lógica, Porto Editora? Registas, por exemplo, nanorrobótica e nanorrobô, mas ficas apenas em microrrobótica, esquecendo-te de microrrobô. Ah, espera, vejo que também te falta o adjectivo nanorrobótico.

 

[Texto 14 917]

Léxico: «putaria»

Desde sempre

 

      «— A vida de hoje é uma putaria — disse o motorista. — As mulheres estão dando que nem chuchu na cerca» (Getúlio, Juremir Machado da Silva. Rio de Janeiro: Editora Record, 2004, p. 113).

      Temos a palavra há séculos, Porto Editora, e tu não a registas? Ultimamente, será mais divulgada em Portugal por prostitutas acompanhantes brasileiras, mas ela está em dicionários, na literatura e na boca de todos.

 

[Texto 14 916]

Léxico: «formiga-de-fogo-vermelha | salgueiro-flutuante»

Pelo menos nos dicionários

 

      Salvemo-los pelo menos nos dicionários: «Além de representar uma das principais causas da extinção de espécies, os investigadores lembram que as despesas associadas à prevenção, monitorização ou combate à propagação destas espécies são insignificantes em comparação com o custo dos danos que causam. E exemplificam: “A devastação de invasões biológicas por espécies exóticas tão diversas como o mosquito-tigre-asiático, a formiga-de-fogo-vermelha importada, o salgueiro-flutuante, o mexilhão-zebra e o rato-preto são responsáveis por perdas de dezenas de milhares de milhões de dólares cada um”» («Mundo já pagou factura de mais de um bilião de euros por “invasões biológicas”», Andrea Cunha Freitas, Público, 2.04.2021, p. 31).

 

[Texto 14 915]

Os erros de sempre e para sempre

Depois avise

 

      «“A melhor saída, que salvaria a face a toda a gente, governo, parlamento e presidente, é o Governo propôr um Orçamento Retificativo”, defende Jorge Miranda, lembrando que “já foram aprovados tantos”» («Apoios sociais: Jorge Miranda tem “as maiores dúvidas” sobre posição de Marcelo mas desaconselha Costa a recorrer ao TC», Ângela Silva, Expresso, 30.03.2021, 17h21). Acha que sim, Ângela Silva? Então procure aí num dicionário actual e depois diga qualquer coisa. Vamos estando por aqui.

 

[Texto 14 913]

Léxico: «garo | garum»

Pouco menos que nada

 

      «Num dos textos reproduzidos no site do Can The Can encontramos talvez a melhor explicação do que é o garum (o nome vem da palavra grega garon). No fundo, é apenas o resultado de “sal, peixe, sol e tempo”. Parece simples, mas, como tudo, é uma arte» («Victor e Pedro estão a fazer garum como no tempo dos romanos», Alexandra Prado Coelho, «Fugas»/Público, 3.04.2021, p. 11). Explicação condensada, há-de ser. No dicionário da Porto Editora — que não regista garum, mas somente garo, o que não se me afigura propriamente a decisão mais acertada, já que quase sempre se usa a palavra latina —, diz-se que é a «salmoira feita com os intestinos desse crustáceo [espécie de lagosta, lemos na primeira acepção] ou de certos peixes».

      Vi muitas definições, e muitas com poucos pontos de contacto entre si, o que demonstra que alguma coisa está mal. «O garum era uma conserva de peixe especialmente fabricada na Hispânia (garum hispanum), posto se exportasse também de outras terras do Mediterrâneo, como de Antibes e de Fréjus. Era um condimento picante e aromático preparado das vísceras de peixe pequeno, salgadas e expostas ao sol durante dias. O líquido que derramavam, depois de coado, constituía o garum, no qual se misturavam peixinhos inteiros, especialmente anchovas e sardinhas, e também ostras e camarões. Este molho, de grande poder nutritivo, era caro e muito apreciado, e servia-se com qualquer espécie de comida, Um condimento semelhante, mas mais ordinário e barato, era o garum scombri, preparado com peixe a que hoje se dá pouco apreço, a cavala (scomber)» (in Actas da Comissão Executiva das comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, 1961, p. 33).

 

[Texto 14 912]