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Linguagista

Léxico: «pombo-trocaz | pombo-da-madeira»

E outros dois

 

      «Em 1986, o pombo trocaz foi considerado “espécie vulnerável” pela IUCN – International Union for Conservation of Nature and Natural Resources e incluído na Diretiva Aves da comunidade europeia, passando a ser proibida a sua caça, que era praticada desde o início da colonização, no século XV» («Madeira autoriza caçadores a abater ave protegida para defender terrenos agrícolas», TSF, 10.04.2021, 15h24). O dicionário da Porto Editora regista torcaz e trocaz (e até torquaz), mas falha ao acolher somente pombo-torcaz e não pombo-trocaz, como se lê no artigo. E há mais dois nomes comuns que os dicionários não registam: pombo-da-madeira e pombo-da-laurissilva-da-madeira.

 

[Texto 14 949]

Léxico: «garantístico»

Também é nossa

 

      «Miguel Matias sublinha que, “estatisticamente, a decorrência de arquivamentos por prescrição neste tipo de crimes (corrupção e branqueamento) tem sido reduzida ao longo dos últimos anos. Sensivelmente, em 400 crimes, quatro são prescritos. Não é uma percentagem grande. O sistema tem sido garantístico no sentido de evitar que as delongas do processo penalizem a ação da justiça”» («Prescrição na Operação Marquês? A cada arguido será aplicado o regime mais favorável», Liliana Monteiro, Rádio Renascença, 9.04.2021, 6h30).

 

[Texto 14 948]

Léxico: «subcomponente»

Não foi encontrada

 

      «“O mais fácil é feito em França, mas é aqui que fazemos todos os subcomponentes que compõe a máscara, nomeadamente o cordão de comunicação, aquilo que se chama a máscara, com o microfone; a parte de silicone que encosta à cara, a concha que é a parte rígida da mascara que depois encaixa ao capacete; as válvulas de inspiração e expiração, assim como a traqueia que é o tubo que transporta o oxigénio”, explica João Barbosa» («Do Alentejo para o mundo. Máscaras de oxigénio e capacetes de voo já conquistam os céus», Rosário Silva, Rádio Renascença, 12.04.2021, 7h57).

 

[Texto 14 947]

Léxico: «logogramático»

Paciência de chinês

 

      «Existem em português várias expressões idiomáticas que traduzem de forma eloquente a perplexidade e a incompreensão com que a cultura portuguesa (e provavelmente outras culturas europeias) observa a cultura chinesa, ou a imagem estereotipada que dela chegou até nós – e.g. “ficar com os olhos em bico” [perante uma grande dificuldade], [uma coisa incompreensível] “ser chinês” ou [ter] “paciência de chinês” [para executar uma tarefa cheia de minúcias]. Muitas destas expressões estão ligadas, acredito, à escrita chinesa, por ser logográfica, com muitos carateres e princípios diferentes dos da escrita alfabética» («Sobre o Dia Mundial da Língua Chinesa», Margarita Correia, Diário de Notícias, 12.04.2021, p. 29).

      Mais uma infausta vez, os dicionários deixam-nos às escuras. Ou será que não? Valha, por todos, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Em logográfico remete, pois claro, para logografia e esta só tem um sentido: «maneira de escrever tão depressa como se fala; estenografia». (Não percebo porque é que a Professora Margarita Correia usou ali colchetes em vez de parênteses curvos.) Não se tratará antes de logograma? Eis a definição que encontramos naquele dicionário: «desenho correspondente a uma noção (ideograma) ou à sequência fónica constituída por uma palavra (fonograma)». O meu palpite? Foi a Professora Margarita Correia que escorregou, talvez também porque não encontrou dicionarizado o adjectivo logogramático.

 

[Texto 14 946]

Léxico: «desqueixolar | queixola»

A precisar de cirurgia

 

      «Meu sobrinho José da Samardã faria bem se com uma queixada do Elvino desqueixolasse os outros Filisteus» (Cartas de Camilo Castelo Branco a Tomás Ribeiro. Lisboa, Portugália Editora, 1922, p. 74). Sim, desqueixolar, partir a queixola, desqueixar. Como não acolhes o verbo, Porto Editora, os teus desqueixolados só têm mesmo o queixo caído, ou, em sentido figurado, estão embasbacados. Os meus desqueixolados, como os de Camilo, ficam mesmo com os queixos fora dos gonzos, a precisarem de cirurgia maxilofacial.

 

[Texto 14 945]

Léxico: «ganza | ípsilones»

Por causa das dúvidas

 

      «“Consumo drogas recreativamente”, diz ao DN. “Antes da pandemia saía bastante à noite – usava cocaína, pastilhas [MDMA], ganzas [canábis] e ketamina.” Mas foi a ketamina, explica, que o fez responder a um apelo, no Twitter, dirigido a quem tivesse consumido substâncias durante a pandemia e estivesse disponível para falar disso com esta jornalista» («“Experimentei ecstasy pela primeira vez no confinamento”», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 11.04.2021, 00h40).

      Mas não se escreve cetamina, Fernanda Câncio? Pelam-se por capas e ípsilones (regista o plural, Porto Editora). E tu, Porto Editora, achas que sabes o que é uma ganza, achas? E por ganzados: há dias, li na imprensa que há cada vez mais viciados em raspadinhas nos centros de apoio a toxicodependentes. Juntos, não piorarão todos e não adquirirão novos vícios?

 

[Texto 14 944]