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Linguagista

Léxico: «judeo-espanhol»

Não sejas ladina

 

      «Pouco a pouco o judeo-espanhol, língua da maioria dos refugiados sefarditas, foi-se impondo a todas as comunidades judaicas, incluindo as comunidades autóctones de língua grega, integrando elementos do hebraico e do turco, assim como do português» (Grácia Nasi, Esther Mucznik. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2010, p. 117).

      Não sejas ladina, Porto Editora, sabes bem que é variante de judeu-espanhol, regista-a, ou o falante ignorante desprevenido vai pensar que está errado.

 

[Texto 14 955]

Léxico: «visitação»

Quando menos esperamos

 

      «O esqueleto do padre António Cardoso foi identificado porque o seu enterramento, em 29 de Maio de 1704, constava dos registos paroquiais do Montijo. E porque no ano anterior houve uma visita pastoral a Sarilhos que pôs a nu para a posteridade as tropelias do frade. Estas visitas, ou visitações, eram uma forma de a hierarquia da Igreja exercer controlo sobre a gestão das paróquias e os comportamentos morais dos fiéis. O visitador inspeccionava as igrejas e convocava testemunhas para que estas contassem coisas do dia-a-dia» («Mulherengo e brigão: a história de um padre em Sarilhos [Grandes]», João Pedro Pincha, Público, 10.04.2021, p. 25).

      Faltam-te várias acepções no verbete de visitação, Porto Editora, e, como podes ver, quando menos esperamos, elas são empregadas em textos de grande divulgação, como é um jornal.

 

[Texto 14 954]

Definição: «radioamador»

Nem pálida

 

      «“Estava a fazer a minha caminhada junto ao mar quando ouvi no meu equipamento de rádio um pedido de auxílio [canal 16] de um cargueiro”, explicou, ao JN, o radioamador José Praça. Tratava-se de um barco cargueiro com uma avaria no motor principal. “Telefonei para a Polícia Marítima de Aveiro que deu o necessário seguimento.” [...] Radioamador há 21 anos e elemento ativo de um grupo de amigos radioamadores que se reúnem com regularidade via radio (Radio Clube de Ovar – RCO), lembra que o radioamadorismo “é um hobby com muitas vertentes, quer sejam técnicas como a eletrónica, ou outras como a propagação, metrologia, radioastronomia”» («Radioamador de Ovar alerta autoridades para navio em dificuldades», Salomão Rodrigues, Jornal de Notícias, 11.04.2021, 15h33).

      Não será o radioamador mais inteligente no éter, ou então é excessivamente zeloso, porque as autoridades estão sempre à escuta, mas enfim, passemos ao que interessa: a definição de radioamador. Na definição do dicionário da Porto Editora (valha este, por uma vez, a título de exemplo...) é a «pessoa que opera, sem fins lucrativos, em posto radiofónico particular e permuta os seus programas com outras pessoas». O leigo fica sequer com uma pálida ideia do que se trata? Não.

 

[Texto 14 953]

Léxico: «claror»

Forte claridade

 

      «Todos os elementos do mito – a bruma, a manhã misteriosa, o claror de salvação — fornecem a substância deste poema» (D. Sebastião e o Encoberto, António Machado Pires. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 226). «Queria pesquisar clamor, claro?», pergunta, sonsa, a Porto Editora. Do latim claror, -ōris, pois claro.

 

[Texto 14 952]

Léxico: «claro-escuro»

Estamos mal

 

      «Sentada numa cafetaria da capital espanhola, a especialista no mestre italiano do claro-escuro (1571-1610) conta à AFP sobre esta “Operação Caravaggio”. Poucas horas antes de uma casa de leilões de Madrid colocá-lo à venda por um preço inicial de 1500 euros, o Ministério da Cultura espanhol bloqueou o leilão de A Coroação de Espinhos, até agora considerada uma obra de um dos discípulos do pintor espanhol José de Ribera» («De Roma a Madrid: viagem de uma especialista para autenticar um Caravaggio», Diário de Notícias, 12.04.2021, p. 29).

      Só tens isso para dizer, Porto Editora, que claro-escuro é a «combinação de luz e sombras»? E o termo das artes plásticas, como no caso do artigo que cito acima? Fica na sombra, no escuro?

 

[Texto 14 951]

Léxico: «sarilhense» e + 50

Como eu ia dizendo

 

      «Através de análises aos ossos, à dentição e à terra foi possível identificar doenças, parasitas intestinais e alimentos consumidos. Peixe, moluscos, cereais, grão, feijão e batata faziam parte da dieta sarilhense» («Mulherengo e brigão: a história de um padre em Sarilhos [Grandes]», João Pedro Pincha, Público, 10.04.2021, p. 24). Sarilhense e mais estes, Porto Editora, que tu te esqueceste de que existem e são usados diariamente: alcochetense, alfeizerense, alpedrizense, alqueidoense, arrabalense, assaforense, ataijense, azoiense, borralhense, brandoense, caiense, calvariense, campelense, caranguejeirense, cercalense, colarense, corvalense, ericeirense, estorilense, fontanelense, freixiandense, gaeirense, golpilheirense, juncalense, maceirense, magoitense, maiorguense, marteleirense, milagrense (de Monção e de Leiria), monsarense, montelavarense, moreirense, ortiguense, parceirense, pataiense, ponterrolense, rinchoense, salirense, samouquense, soudoense, sousense, soutocicense, turcifalense, turquelense, urqueirense, usseirense, valadense, valhelhense, vimeirense, vimieirense. Experimentem ler a imprensa regional. Vão ficar surpreendidos. Vão? Iam.

 

[Texto 14 950]