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Linguagista

O plural dos nomes próprios, mais uma vez

Problemas do manicómio

 

      Ora, nem de propósito: «Sócrates, que acha que é Lula da Silva, como os Napoleões Bonaparte dos hospícios, atribui o que lhe sucede a uma operação política da direita e da extrema-direita. Como de costume, isso implicaria uma teia de cumplicidades e conspirações fabulosas, dos salazaristas sobreviventes ao PS, passando pelos outros partidos, pelos polícias, pelos magistrados e pelos juízes, pela comunicação social. Isto seria a mais perfeita conspiração feita em Portugal, onde nunca nenhuma conspiração sobrevive à balda do segredo, ao falar de mais, ao desleixo conspirativo. Mas, com Sócrates, foi a mãe de todas as conspirações» («O homem que estragou muito a nossa democracia», José Pacheco Pereira, Público, 17.04.2021, p. 11).

      «Os substantivos proprios tomam a forma do plural, quando designam muitos individuos que teem o mesmo nome, como: Os Alexandres, os Pedros, os Napoleões; os Affonsos de Portugal, os Luizes da França; as pessôas de uma familia, v. g. Os Bonapartes, os Bourbons; ou figuradamente uma classe de individuos com as qualidades de uma personagem historica, v. g. Teve D. João de Castro Darios a quem vencer na Asia, mas não achou Cursios e Livios na Europa que illustrassem seu nome (Prólogo de Jacintho Freire). Não se accomoda ao ouvido portuguez o dizer (como alguns fazem, imitando a lingua franceza), v. g. Os Voltaire, os Rousseau; é preciso o s designativo do plural: os Voltaires, os Rousseaus. A lingua portugueza, que tem manifesta tendencia para o s final, usando d’elle até em alguns nomes do singular (á semelhança dos nominativos latinos), como em gabolas, traquinas, não tolera uma desconcordancia tão desabrida. Na lingua franceza não se torna ella sensivel, porque o s do fim das palavras em geral não sôa, é apenas um signal da escripta, sendo indifferente para a pronuncia escrever, v. g. les Voltaire ou les Voltaires: o som final é o mesmo» (Diccionario Grammatical Portuguez, José Alexandre Passos. Rio de Janeiro: António Gonçalves Guimarães & C.ª, 1865, p. 255).

      Claro que, como em muitos outros aspectos da vida, há os que, intencionalmente ou não, confundem tudo, como aquela Teresa ***, que argumentava que pluralizar os apelidos era imitar a língua francesa. Infelizmente, pelo menos em Portugal, os estropiadores (dicionariza-o, Porto Editora) da língua também escrevem gramáticas.

 

[Texto 14 965]

Os Castros

Vá lá

 

      «Mais de sessenta anos depois da revolução cubana de 1959, os Castros vão deixar de mandar em Cuba» («Sessenta anos depois, Castros deixam de mandar em Cuba», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 16.04.2021, 22h24).

      Triste, lamentável, é em algumas editoras de livros fazerem o contrário — ainda que eu lhes abra os olhos. «Trata-se de uma questão muito controvertida, relativamente à qual não existe consenso», escrevia-me recentemente um rematado emproado e ignorante. Saiu — para bem da língua e dos leitores — derrotado.

 

[Texto 14 964]

Léxico: «terceiro-tenente»

Paraste no segundo

 

      «O galardão homenageia um homem nascido na Inglaterra de 1786, cuja carreira promissora na Marinha Britânica, onde chegou ao posto de terceiro-tenente, foi bruscamente interrompida aos 25 anos. Em 1810, James Holman adoeceu quando participava numa missão na costa da América do Norte» («James Holman, o “viajante cego” que calcorreou o mundo do século XIX», Jorge Andrade, Diário de Notícias, 12.04.2021, p. 13).

 

[Texto 14 963]