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Linguagista

Léxico: «aljube | algibe | algibé»

Tão incompletos...

 

      «Aljube, do árabe “al-jubb”, significa poço sem água ou prisão. O edifício, no coração de Lisboa, sempre teve funções de encarceramento: desde uma prisão eclesiástica a cadeia para mulheres e durante a ditadura, uma cadeia privativa da polícia política. Desde 25 de Abril de 2015, alberga o Museu Resistência e Liberdade» («Aljube, uma inspiração para a defesa da democracia e dos Direitos Humanos», Cristina Lai Men, TSF, 23.04.2021, 8h19).

      Se aljube e algibe são palavras divergentes do mesmo vocábulo arábico, porque não o indicam os nossos dicionários? Porque não o dizes, Porto Editora? (Aliás, também divergente é algibé, que, sabe-se lá porquê, a Porto Editora diz ser «de origem obscura».)

 

[Texto 15 006]

Definição: «caldeireiro»

Nos nossos? Em todos

 

      «A família George chegou a Portugal em meados do século XIX, trazida pela crise que se instalou na construção naval em Inglaterra e por um contrato de cooperação com o Governo português. Especialista em energia a vapor, Charles George (bisavô do ex-diretor-geral da Saúde) foi mestre dos boilermakers (caldeireiros) no Arsenal da Marinha, uma ligação ao setor público que manteve toda a vida e que perdurou como uma herança na família» («Cemitério Inglês. Três séculos de história escondidos no meio de Lisboa», Susete Francisco, Diário de Notícias, 22.04.2021, 7h00).

      Acho que até o bisavô de Francisco George ficaria chocado com a definição de caldeireiro nos nossos dicionários.

 

[Texto 15 005]

Léxico: «lagostim-marmoreado | cabomba-verde»

Mais dois para o catálogo

 

      «Pedro Anastácio, que fez parte da equipa de planeamento e coordenação do trabalho, clarifica que estas espécies ainda não se estabeleceram no país. Algumas delas estão presentes de forma confinada – por exemplo, em aquários – e outras chegaram, mas ainda não se estabeleceram. Entre as espécies identificadas estão o lagostim-marmoreado (à venda recentemente em lojas de aquariofilia, apesar de proibido), o cabeça-de-cobra (um peixe) ou a cabomba-verde (uma planta)» («Há 272 espécies que poderão causar estragos nas águas interiores da Península Ibérica», Teresa Sofia Serafim, Público, 23.04.2021, 20h51).

 

[Texto 15 003]

Léxico: «gaveta»

Celas de solitária

 

      «Para inspirar todos os visitantes, Rita Rato convida a percorrer os corredores das certezas indiscutíveis (ou corredor do NÃO), da imprensa e rádio clandestinas, da luta anti-colonial [sic], os tribunais políticos, a PIDE, os 14 curros ou gavetas, onde a comunicação através dos sons constituía uma mensagem de esperança. Pode escutar alguns pontos dessa viagem pela História, na reportagem TSF, num Museu que nas palavras de Rita Rato, é um “lugar de excelência de defesa dos Direitos Humanos”» («Aljube, uma inspiração para a defesa da democracia e dos Direitos Humanos», Cristina Lai Men, TSF, 23.04.2021, 8h19).

      Estes curros já foram para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por sugestão minha, em Abril de 2020. Agora a questão é esta: e gaveta, neste sentido, não devia ser referido também ao Aljube? É que, actualmente, aquele dicionário regista apenas gaveta como termo popular para «prisão». É verdade que dizemos, figuradamente, engavetar para meter na cadeia. Seja como for, no segundo andar da Cadeia do Aljube, havia treze curros ou gavetas, celas de solitária.

 

[Texto 15 002]