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Linguagista

Léxico: «romenho»

Variante legítima

 

      «Debatiam, em romenho, dando-se que ásperos, de se temer um destranque» (Tutaméia: terceiras estórias, João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Livraria J. Olympio, 1967, p. 107).

      Isto já é difícil, se os dicionários não ajudarem, como será? Porto Editora, ficas a saber que tanto se pode dizer romanho, como registas, como romenho, que ignoras. Romenho, ou português aciganado, como escreveu Botelho de Amaral.

 

[Texto 15 013]

Piemonte ou Piamonte?

Mas agora já é tarde

 

      Sabiam que devíamos dizer Piamonte e não Piemonte? Ah, pois, não sabiam. Então talvez também não saibam que em castelhano se diz — e não têm variante — piamontés. Não pensem que é como o caso daquele rapazola que, na senda de Botelho de Amaral, queria que se dissesse «Pompeios» em vez de «Pompeia», porque é mais correcto, não: «A seita, porém, propagou-se pela França, Alemanha e Boémia, contando ainda hoje adeptos no Piamonte e Delfinado» (História da Civilização. Vol. 1-2, António Gonçalves Mattoso. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1952, p. 134).

 

[Texto 15 012]

Léxico: «par ou parnão»

Diga-se no sítio certo

 

      «— Também; também havemos de jogar o par ou pernão» (A Morgadinha dos Canaviais, Júlio Dinis. Lisboa: Lello & Irmão, 1960, p. 289).

      É corruptela por parnão. Estão a ver? Par ou par não. Então, agora que já viram, vejamos o que diz o dicionário da Porto Editora: se é verdade que em pernão afirma isso mesmo, que é corruptela, mas apenas na nota etimológica, que muitos leitores desprezarão, em parnão simplesmente remete para pernão. Esta remissão vai simplesmente induzir muitos leitores em erro.

 

[Texto 15 011]

Léxico: «brasilês»

Outro esquecimento

 

      Só lhe perguntei, e com a ironia bem longe da voz, se aquilo era para ficar em brasilês, com aquele «oi» e certos giros da frase. Três dias mais tarde, respondeu-me que a palavra nem sequer estava no dicionário. Pois, no da Porto Editora não está. «Queria pesquisar braile, brasil, brasilense, brasilete

 

[Texto 15 009]

Ortografia: «irmãmente»

Nem só inglês

 

      «Assim sendo, os três candidatos receberão, para já, 227 mil euros cada (20% dos 3,4 milhões distribuídos irmãmente), sendo que os restantes 80% serão depois distribuídos de forma proporcional» («Subvenção estatal. Maria de Belém e Edgar Silva com menos de 5% não recebem nada», Rita Dinis, Observador, 24.01.2016, 22h58).

      A citação é mero pretexto: o que eu verdadeiramente queria era que alguém dissesse àquele cronista famoso, cujo nome agora me escapa, que é assim que se escreve o advérbio — irmãmente, e não como ele fez, sem til. É que os vocábulos terminados em transmitem esta representação do a nasal aos advérbios em -mente que deles se formem, e, assim, temos cristãmente, irmãmente, sãmente, etc. Está muito bem saber inglês, mas quando escrevemos em português, temos de saber bem, ou razoavelmente, português.

 

[Texto 15 008]