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Linguagista

Definição: «obsessivo-compulsivo»

Faltas e fraquezas

 

      «“Há diferentes tipos de obsessões: relacionados com lavagem e contaminação, com dúvida e verificação, ordem e simetria, acumulação ou medo de pensamentos transgressores sobre comportamento, sexo ou religião”, descreve Pedro Morgado [investigador do ICVS da Escola de Medicina da Universidade do Minho], que sublinha a seriedade da doença: “É uma doença muito incapacitante, que implica níveis de sofrimento e diminuição de qualidade de vida muito significativos”» («Em busca de uma nova esperança para doentes obsessivo-compulsivos», Rui Frias, Diário de Notícias, 27.04.2021, p. 12). Ah, e também se lê isto no artigo: «Em Portugal, “estima-se que o transtorno obsessivo-compulsivo [TOC] atinja até 4% da população” – acima da prevalência geral de 2% a 3% estimada a nível mundial –, diz Pedro Morgado, psiquiatra do Hospital de Braga e investigador da Escola de Medicina da Universidade do Minho [...].»

      No dicionário da Porto Editora, e noutros, diz-se que obsessivo-compulsivo é «1. em que há obsessão compulsiva; 2. diz-se de neurose em que o doente manifesta pensamentos e impulsos repetitivos». Problema: o dicionário não regista «obsessão compulsiva», mas apenas «obsessão impulsiva». Parece-me estar melhor no Treccani: «In psichiatria, nevrosi ossessiva-compulsiva, malattia, cronica e invalidante, caratterizzata da ossessioni e compulsioni che dominano il comportamento del paziente.» Seja como for, na definição não tinha de aparecer a palavra «transtorno»? Pois, TOC. E esta sigla não tinha de estar no Dicionário de Siglas, como está, por exemplo, DPOC? (Estou a restringir isto apenas a doenças de que padeço.) Tudo junto, são muitas lacunas, muitas falhas.

 

[Texto 15 033]