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Linguagista

Léxico: «bota-abaixismo»

Ouçam-no

 

      Porto Editora, é contigo: «O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, admitiu, este sábado, conversar “sem bota-abaixismos” com o Governo sobre o Orçamento do Estado (OE) de 2022, mas avisou o primeiro-ministro, António Costa, que o partido “não assina de cruz”» («PCP conversa sobre OE 2022 sem “bota-abaixismo”, mas “não assina de cruz”», Rádio Renascença, 1.05.2021, 18h02).

 

[Texto 15 045]

George Washington

Uma data errada

 

      «A partir desta data (30 de abril de 1789)», lê-se na Infopédia a propósito de George Washington, «tornou-se presidente dos Estados Unidos, tendo sido reeleito em 1892 e recusado um terceiro mandato.» Lapso, pois claro: o primeiro presidente dos EUA morreu de amigdalite aguda em 14 de Dezembro de 1799. E aquele «a partir de» não devia ser ali empregado. Assim: «A 30 de abril de 1789, tornou-se presidente dos Estados Unidos, tendo sido reeleito em 1792 e recusado candidatar-se a um terceiro mandato em 1799, ano da sua morte.»

 

[Texto 15 044]

Léxico: «lixologia»

Nada improvável

 

      «Até ao início dos anos 70, o arqueólogo William L. Rathje, doutorado em Harvard e docente na Universidade do Arizona, fez carreira a procurar pistas da civilização Maia em Cozumel, uma ilha mexicana no meio do mar das Caraíbas. Contudo, algures pelo caminho, decidiu mudar de objeto de estudo. Em vez peneirar restos, pedras e areias, à procura de vestígios milenares, longe do seu país natal, começou a escavar, juntamente com um grupo de alunos, o aterro da cidade de Tucson, no estado do Arizona. “O Projeto do Lixo”, assim foi batizado em 1973, abriu uma caixa de Pandora social e criou mesmo um novo campo de estudo académico, a “Garbology” (“Lixologia”, numa tradução livre.) (Em 1976, a revista Time dedicou um longo artigo – com o título sugestivo “A Verdade no Lixo” – ao projeto do arqueólogo, que continuou, até 2012, ano em que faleceu, a trabalhar sobre o mesmo tema.)» («No futuro, os fósseis da pandemia vão falar por nós. Que história vão contar?», Fábio Monteiro, Rádio Renascença, 7.04.2021, 9h30).

      Não é que eu queira o termo lixologia nos dicionários — não queria é que, no futuro, se usasse em textos portugueses a palavra inglesa, e isso não é nada improvável. Mas faço notar: nos dicionários de língua inglesa vamos encontrar garbology. Pensem nisto.

 

[Texto 15 043]

Definição: «prédio urbano»

Não é bem isso

 

      «O Governo aprovou o regime jurídico do arrendamento forçado de prédios rústicos, no âmbito do Conselho de Ministros, na quinta-feira, determinando que o decreto-lei se aplica “nas situações de inércia dos proprietários” nas Áreas Integradas de Gestão da Paisagem» («Aprovado arrendamento forçado de terras em “situações de inércia dos proprietários”», Rádio Renascença, 30.04.2021, 14h25).

      Também podemos falar da definição de prédio rústico no dicionário da Porto Editora: não é somente, como escrevem, o «prédio que se destina a fins agrícolas», mas também, e não estou a brincar com as palavras, que esteja afecto à agricultura. Contudo, é a definição de prédio urbano que me parece mais necessitada de correcção: «prédio destinado a moradia, não afecto à agricultura». Para moradia? O que a lei diz é que se considera prédio urbano, além dos imóveis já edificados e incorporados no solo, qualquer terreno para construção.

 

[Texto 15 042]

«TPC’s»?

Pensei já estar aprendido

 

      Ia comprar, para oferecer a uma adolescente, o primeiro volume de Heartstopper, de Alice Oseman, publicado pela Cultura Editora (deviam ter invertido o nome), mas desisti. Diz uma personagem na página 169: «Os TPC’s são chatos.» É apenas um entre outros erros. Nem tradutora (Inês Montenegro) nem revisora (Isabel Garcia Pereira) sabem que não é assim nem em inglês nem em português? Estamos mal. Não compro nem recomendo. Todos temos a responsabilidade de dar bons exemplos.

 

[Texto 15 041]

Léxico: «ruralato»

Coevo do indigenato

 

      «E como não havia de assim ser se as ilhas se povoaram de gente do Minho e da Beira, do Algarve e em geral do Tejo ao Sul, com fortíssimos contingentes de colonos, como o provam em parte os documentos e sobretudo a etnografia das formas da habitação e do ruralato em certas ilhas e zonas delas» (Açores, Actualidade e Destinos, Vitorino Nemésio. Angra do Heroísmo: Edições Atlântida, 1975, p. 20).

 

[Texto 15 040]