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Linguagista

Léxico: «cartuxo | escama-de-tartaruga»

Dá-se o caso

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      Ora, dá-se o feliz caso de o meu gato ser um vistoso cartuxo, e por isso não acho que se deva usar o termo Chartreux e lamento que nada disto vá para os dicionários. Isto não é fatalidade, é doença. Ah, e os gatos com pelagem escama-de-tartaruga, a que os Brasileiros dão o nome de escaminha, acaso estão nos dicionários?

[Texto 15 097]

Léxico: «delfínico | delfinino»

Quando menos esperamos

 

      Claro que seria totalmente improdutivo pormo-nos a pensar nas palavras que faltam nos dicionários. Há, isso é cada vez mais verdade, ferramentas que nos auxiliam a fazer melhores dicionários, mas na maioria das vezes, tirando as incongruências que descobrimos pela própria consulta, é das leituras que levamos material. É o caso de hoje: para o dolphin mode do original, o tradutor escreveu «modo delfínico». Nos nossos actuais dicionários, infelizmente, não vamos encontrar o vocábulo delfínico (nem delfinino). «Queria pesquisar definido, delfinado, delfinina, delfínio?» O VOLP da Academia Brasileira de Letras, porém, não perdeu nem desprezou os verbetes — até porque, quando menos esperamos, temos de os usar ou deparamos com eles.

 

[Texto 15 096]

Léxico: «búfalo-de-água | búfalo-de-água-salvagem»

Faltam os selvagens

 

      «The water buffalo Bubalus bubalis is the domestic form of the wild progenitor Bubalis arnee of India, southern Asia and possibly the wet areas of western Asia (Brock, 1989)» (World Animal Review, Vols. 76-85, Food and Agriculture Organization of the United Nations, 1993, p. 5).

      Pronto, já percebi: há por aí confusão. No dicionário da Porto Editora, vamos encontrar o vocábulo búfalo-asiático (Bubalus bubalis), mas não o sinónimo búfalo-de-água. Aquele Bubalis arnee é o búfalo-asiático-selvagem ou búfalo-de-água-selvagem.

 

[Texto 15 095]

Os séculos

Oh, não se esforce

 

      «O presidente da câmara de Odivelas, Hugo Martins, entrevistado pela Renascença, lembra que os terrenos onde vai ser construído o parque “têm ainda elementos que remontam ao século 13 quando foi construído o Mosteiro da ordem de Cister” e, por isso, o que a câmara quer fazer é “reconciliar e preservar o património histórico com um espaço naturalizado que permite o lazer e a realização de espaços musicais”. [...] Um dos locais mais emblemáticos do Mosteiro é o Jardim da Princesa. A requalificação vai valorizar o pequeno templo e o tanque de rega com os seus ornamentos do século 18» («Odivelas vai ter um novo parque junto ao Mosteiro», Manuela Pires, Rádio Renascença, 11.05.2021, 14h01).

      Temos aqui a jornalista Manuela Pires a tentar descobrir a pólvora — ou é brasileira? Não se esforce em vão.

 

[Texto 15 094]

Léxico: «mucormicose»

E limpa-me essa pontuação

 

      «Um fungo raro, que afeta órgãos como o cérebro, está [a] aparecer em pacientes com Covid-19 na Índia. Até ao momento, foram registados cerca de 300 casos só em quatro cidades da região de Gujarat, no oeste do país. A doença em causa chama-se mucormicose e atinge pacientes severamente imunodeprimidos, tendo um alta taxa de mortalidade» («Pode afetar o cérebro e é altamente mortal. Fungo raro atinge doentes com Covid-19 na Índia», Rita Carvalho Pereira, TSF, 11.05.2021, 12h38).

      A Porto Editora guarda, ciosamente, o termo para o Dicionário de Termos Médicos. A definição, porém, é como se tivesse sido escrita por uma pessoa gaga — se a gaguez se reflectisse na escrita, o que graças a Deus não sucede. Ei-la: «Micose, muito rara; provocada por fungos da ordem dos Mucorales. A mucormicose atinge, eletivamente, a pele, as meninges e o sistema nervoso central.»

 

[Texto 15 093]

É malpassado e bem-passado

Malcozinhado

 

      «Não deixe passar muito a carne, estes borregos querem-se mal passados, é quando o sabor está no zénite» («Sua excelência o borrego», Fernando Melo, Diário de Notícias, 31.03.2021, p. 30).

      Conselho (ou receita): Fernando Melo, já que se debruça tanto para a panela escreve tanto sobre gastronomia e culinária, convém aprender que se grafam desta maneira: malpassado e bem-passado. Assim é que a ortografia fica no zénite.

 

[Texto 15 092]

Um apóstrofo inútil

Algum dia aprenderão?

 

      «Dizem-nos que para sermos saudáveis e funcionais, precisamos de garantir pelo menos sete horas de sono por noite. No entanto, muitos dos líderes mundiais, presidentes, e CEO’s milionários afirmam que sobrevivem fazendo precisamente o contrário e alguns atribuem o seu sucesso profissional a este hábito» («Os hábitos de sono mais estranhos dos líderes (acordar às 4h30 faz parte da lista)», Rita Silva Avelar, «Must»/Jornal de Negócios, 11.05.2021, 7h00).

      O problema, Rita Silva Avelar, é que isso está errado em inglês e em português. E nota-se muito.

 

[Texto 15 091]