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Linguagista

Léxico: «eco-ansiedade»

Está em voga

 

      Ontem de manhã, ouvi na Antena 1 um especialista qualquer falar em «eco-ansiedade» (a eco-anxiety do Dicionário Oxford). Dizia mais: é do que sofre Greta Thunberg, mais do que da síndrome de Asperger. (Aqui há uns anos, um leitor do blogue — talvez um desses engraxadores que depois me pedem opinião sobre isto e sobre aquilo — também me diagnosticou com síndrome de Asperger. Oh, que labéu. Bem, só o vou admitir quando for tão rico quanto Elon Musk.) Isso foi de manhã. À tarde, ouvi num noticiário da Oxigénio («Música para respirar») uma responsável do Festival Mental usar por duas vezes a palavra, porque a eco-ansiedade vai ser um dos temas a tratar. Entretanto — que se podia esperar? —, a palavra já anda por aí mal escrita.

 

[Texto 15 129]

Léxico: «índigo-selvagem-azul | avenca-comum | agrostis»

Planta estas

 

      Ali no desfiladeiro (estamos na Florida), via-se muita vegetação. Abundava o índigo-selvagem-azul (Baptisia australis), mas não creio que cá se saiba alguma coisa sobre isto. Como também se via avenca-comum (Adiantum raddianum), que devia estar em todos os dicionários e não está. Também se podia ver, aqui e ali, agrostis-comum (Agrostis capillaris), mas não agrostis-gigante (Agrostis gigantea) nem agrostis-branco (Agrostis stolonifera). Até na legislação temos estes últimos três, mas a Porto Editora só acolhe agróstide.

 

[Texto 15 128]

Léxico: «iurta»

Uma carrada de anos

 

      «A primeira porta dava para uma área de arrumação, onde estacionam motorizadas, bicicletas, arrumam lenha e secam roupa; uma segunda dava para uma iurta gémea, aquecida por uma salamandra e por um acolhimento verdadeiramente nómada: sorrisos, pão duro e chá fraco muito quente» (Onde os Rios Têm Marés, Ana Isabel Mineiro. Porto: Via Óptima, 2008, p. 139).

      Eu ia lá adivinhar — e se eu adivinho coisas! — que tu não tinhas a palavra, Porto Editora. Vejo-a há uma carrada de anos em livros e revistas. «Queria pesquisar murta

 

[Texto 15 127]

Os Palestinos, pois claro

Perde o BE

 

      Pedro Duarte, no seu debate semanal com João Teixeira Lopes no 360º, da RTP3, disse sempre — e bem, caramba, bem — «Palestinos». A jornalista Carolina Freitas, da única vez que usou a palavra, fez mesmo. João Teixeira Lopes disse sempre «Palestinianos». Há sempre, mas sempre, quem não saiba.

 

[Texto 15 126]

Léxico: «mesoporoso»

Ciência sem palavras?

 

      Anteontem, ouvi na rádio um cientista qualquer a falar em «material mesoporoso». Como estava a conduzir, tive de ditar a palavra para o relógio, pois podia esquecer-me, embora, é claro, não faltem truques de mnemónica para reter qualquer palavra. Mas não fui eu que me esqueci: nos nossos dicionários, nem vestígios.

 

[Texto 15 125]

Léxico: «somalilandês»

Só nós

 

      E depois há os termos clandestinos, que nós desprezamos (mas que usamos!) e os Ingleses entesouram: «Mas, apesar de tudo, em 2021, a Somalilândia como um todo é um Estado de facto. Existe, tem um governo, uma população que se considera somalilandesa, e tem instituições políticas estáveis, como um parlamento, e uma Câmara dos Sábios, a qual recorre às tradições somalis para resolver conflitos entre clãs» («Somalilândia: trinta anos num limbo», Margarida Santos Lopes, Além-Mar, Junho de 2021, p. 27). Não temos emenda.

 

[Texto 15 124]