Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «culturicídio»

Só para que saibam

 

      Só para que saibam que existe. Na realidade, há décadas que, de quando em quando, aparece: «Quando a guerra é total, ataca-se o cerne (coração) da nação — a sua identidade cultural. Um morto é um morto; um monumento destruído é a aniquilação de todo um país. O culturicídio é irmão do genocídio» («Cultura em tempo de guerra», Jorge Calado, «Revista E»/Expresso, 28.03.2020, p. 41).

 

[Texto 15 143]

Léxico: «malgrado | mau grado»

Nem sei que diga

 

      «No caso presente, o título da exposição passou também para os dípticos, reforçando a sugestão figurativa dos mesmos, enquanto as restantes peças participam todas de um nome comum “Volta do Mar Largo”, malgrado as suas evidentes diferenças formais: dois emblemas/escudo, três peças, aparentemente informais, que são três territórios de pintura onde se adivinha uma comum base que podemos entender como suporte, como preparo ou como uma fase inicial da pintura, e três contornos de grande caligrafia, percursos ou gestos domados e repetidos com resultados idênticos» («Trabalho em curso», José Luís Porfírio, «Revista E»/Expresso, 1.05.2020, p. 75).

      Malgrado é preposição e significa «não obstante, apesar de», enfim, sinónima da locução preposicional mau grado — mas para o dicionário da Porto Editora só existe como substantivo. Mais: a Porto Editora também não regista a locução preposicional mau grado. Isto é normal?

 

[Texto 15 142]

«Quer-la?»

Caso a encontrem

 

      Saibam que está certo: «SHANNON: A chave do autocarro está no meu bolso. (Bate no bolso com fúria.) Aqui, aqui mesmo, no meu bolso! Quer-la? Experimenta tirá-la, meu gorducho!» (A Noite da Iguana, Tennessee Williams. Tradução de Idalina S. N. Pina Amaro. Colecção «Os livros das três abelhas». Lisboa: Publicações Europa-América, 1965, p. 79). Para a maioria dos brasileiros, isto é chinês.

 

[Texto 15 141]

Todos e todas

Uma convenção só deles

 

      No fecho da convenção nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins quis agradecer «a todos e a cada uma». Espera, mas, de acordo com a regra que inventaram, não tinha de ser «a todos e a todas e cada um e a cada uma», não tinha? Bem me parecia. É que assim ficou coxo. (Mas é um quiasmo.)

 

[Texto 15 140]

Léxico: «acteia»

Por causa dos quiproquós

 

      Preparou uma infusão com bagas azuis e negras de acteia (Cimicifuga racemosa) e deu-a a beber à mulher, que engravidara de outro homem numa festa de sexo com troca de casais. O resto já vocês sabem: a Porto Editora esqueceu-se de dicionarizar acteia e os quiproquós acontecem, não nas farmácias, mas nas traduções.

 

[Texto 15 139]

Tradução: «scalp»

Fica dito

 

      Já alguma vez vos disse que detesto que muitos tradutores só encontrem «escalpe» para traduzir scalp? Não? De certeza? Já leram os 15 137 textos para trás? Bem, ainda que o volte a perguntar, já não poderão dar-me a mesma resposta.

 

[Texto 15 138]