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Linguagista

Léxico: «piorneira | piorneira-da-estrela»

Nem a mais simples

 

      A propósito de oromediterrâneo, ó Porto Editora, não acolhes o vocábulo piorneira-da-estrela, de nome científico Cytisus oromediterraneus. É um arbusto que encontramos na Beira Alta e na Beira Baixa, incluindo na serra da Estrela. Pois, daí o nome. (Palminhas.) Agora por esta altura já está florido, exibe umas florezinhas amarelas. Espera lá... nem sequer acolhes a simples piorneira!

 

[Texto 15 187]

Léxico: «romeu»

Igualmente digna

 

      «Para ultrapassarem uma das paredes da cadeia, dois dos reclusos terão amarrado na extremidade da corda de lençóis (um “romeu”, na gíria prisional) ferros retirados das camas, os quais, depois de arremessados, prendiam e ajudavam na escalada» («Abortada fuga de quatro presos em Custóias», José Bento Amaro, Público, 5.09.2011, 00h00).

      É um clássico de certos filmes, vemo-lo na literatura, até na imprensa, mas depois não é dicionarizado. Outra vez: a gíria dos reclusos e bandidos é tão digna de figurar nos dicionários quanto a dos médicos ou dos economistas. O valor e interesse linguísticos são os mesmos. Não os acolhem, e depois tenho tradutores a baterem-me à porta a perguntar.

 

[Texto 15 186]

Léxico: «monotipia | pimbolim | matreco | matraquilho»

Não percebo porquê

 

      «Quando se entra na galeria, somos surpreendidos por cinco telas de grande dimensão [da autoria de Maia Horta], com rostos de formato homogéneo. Na parede seguinte encontram-se monotopias em papel – pinturas feitas sobre matrizes de vidro –, onde os mais entendidos no “desporto-rei” reconhecerão as faces de jogadores célebres, daqueles que as crianças trocavam em cromos nas ruas e recreios das escolas» («Matraquilhos como nós», Viriato Soromenho-Marques, Diário de Notícias, 31.05.2021, p. 28).

      É monotipia, e não (nem podia ser) como o escreveu Viriato Soromenho-Marques. «Em gíria futebolística, um matreco é um termo pejorativo. É o mesmo que cepo, pino ou coxo: é alguém que não sabe o que anda a fazer em campo», lê-se na folha de sala da exposição, com o título «Pimbolim é matraquilho», da autoria de Jorge André Catarino. Ora, não vejo isto em nenhum dicionário. Como também não vejo os termos matraquilho e matreco no singular. Porquê? «Em pé, porém, era minúsculo. Figura clássica do cabeçudo entroncado, de perna curta. Lembrava um matraquilho. Os óculos, feitos para outra cara, fugiam-lhe para os lados à maneira duma máscara de morcego. Carlos chegou a pensar que ele nunca tivera oportunidade de se ver ao espelho» (O Último Lance, Marcello Duarte Mathias. Lisboa: Quetzal Editores, 1997, p. 174). Noutro sentido: «Nas esquinas da Baixa foram colocados pequenos rabiscos de palavrões que dirigiam a nobreza contra a perfídia de um traidor, chamavam-lhe rabicho, lambão, matreco e zaruco» (Kaos, Rúben Andresen Leitão. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981, p. 87).

 

[Texto 15 185]

Léxico: «capitão-geral»

Também os temos

 

      «Um por um, ele telefonou a todos os capitães-gerais para não apoiarem Tejero e todos lhe obedeceram [afirma Pilar Eyre, biógrafa do rei Juan Carlos]» («“Dom Juan Carlos ama Portugal, que foi o país do seu primeiro cigarro, da primeira bebida, do primeiro amor”», entrevistada de Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 31.05.2021, p. 19).

 

[Texto 15 184]

Léxico: «desnobar»

Inventividade

 

      «Houve também corvina do Sado na ementa. E na sobremesa marcou igualmente presença a torta de Azeitão, se bem que, apesar de tanto petisco, não podemos esquecer que estamos numa casa de vinhos primeiramente. Como disse António Maria [Soares Franco], a intenção do Wine Corner “é desnobar o vinho”. Parecem estar no bom caminho» («Petiscos em Azeitão para se apreciar os vinhos da José Maria da Fonseca», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 31.05.2021, p. 30). Não é nada de extraordinário: foi só juntar o prefixo des- para exprimir a acção contrária a esnobar, termo dos nossos irmãos Brasileiros.

 

[Texto 15 183]

Léxico: «unamuniano»

Também esquecido

 

      «De resto, o espanholismo unamuniano, visceral quanto à determinação que o animou, levá-lo-ia a pretender, enfaticamente, que não houvesse “un pedazo de cielo sin una idea española”» (Miguel de Unamuno e Teixeira de Pascoaes: compromissos plenos para a educação dos povos peninsulares, Vol. 2, José Manuel de Barros Dias. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002, p. 408).

 

[Texto 15 182]