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Linguagista

Léxico: «gaitadaria» e alguns mais

Não esqueçamos os Açores

 

      Açores. Sim, Porto Editora, tens alvarozes, biscoito, calafona, capacete, chaprão, grota, laparoso, entre outros, mas não tens aço, alcatra, bagoucho, besuga, cadelo, camisa de meia, clauseta, corisco, fofó, gaitadaria, gama, pirata, piteiro, pregos da roupa, suera, alferes (natural da ilha Terceira), inhameiro (natural da ilha de São Jorge), cachalote (natural da ilha do Pico), todas, palavras ou acepções, usadas nos Açores. Já basta ignorares o Alentejo: onde pára o tal varal que aqui citei?

 

[Texto 15 193]

Léxico: «neolatim»

Pois existe

 

      «O método [que se pode encontrar na obra espanhola Salve! aprender latín en la tradición cristiana] propõe aprender as duzentas palavras mais frequentes da «Vulgata» (a tradição latina da Bíblia) e ensina a traduzir textos da Escritura, do Missal Romano, do Código de Direito Canónico, do Catecismo da Igreja Católica e também sentenças de Virgílio ou de Séneca, entre outros. Entre os exercícios, está a tradução de fragmentos da encíclica do Papa João Paulo II Fides et Ratio e Ecclesia de Eucaristia, e obras clássicas da tradição cristã como a Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis. Salve! inclui uma breve história da língua latina, desde o latim pré-literário passando pelo arcaico, o clássico, o pós-clássico, o tardio, o medieval, o renascentista e o neolatim, além de explicar modalidades como o latim vulgar ou o latim cristão, que é uma modalidade do latim tardio e, portanto, diferente do latim clássico» («Novo livro para aprender latim na tradição cristã», Ecclesia, 3.04.2006, 14h44).

 

[Texto 15 191]

Léxico: «biorrefinaria»

Também o processo

 

      «Frutas, legumes e queijos envolvidos em plástico poderão, em breve, ser um cenário do passado, acreditam. Marisa Gaspar, Mara Braga e Patrícia Almeida Coimbra utilizaram os conhecimentos adquiridos durante uma investigação relacionada com a biorrefinaria e aplicaram-nos à indústria alimentar, criando uma película “quase impercetível” para reduzir a utilização de plástico nestes produtos» («Embalagens comestíveis. “O grande objetivo é o desenvolvimento de uma alternativa ao plástico”», Francisco de Almeida Fernandes, Diário de Notícias, 1.06.2021, p. 12).

      Donde se conclui que a definição de biorrefinaria no dicionário da Porto Editora — ou em todos? — não abrange todas as acepções em que o termo é usado. No artigo do DN, biorrefinaria é o processo sustentável de transformação de biomassa, não a unidade industrial em que se faz essa conversão.

 

[Texto 15 190]

Etimologia: «dinossauro»

Simplesmente enganador

 

      «O louvor chegou de uma figura de peso entre a comunidade científica. Owen, fundador do Museu de História Natural, em Londres, merecia estatuto semelhante ao do naturalista Charles Darwin. A Richard Owen é atribuído o batismo das criaturas do passado reveladas nos ossos fossilizados descobertos no Sul de Inglaterra. Owen designou-os de dinossauros, aludindo ao termo grego deinos sauros, o “lagarto terrível”» («Jeanne Villepreux-Power, a costureira do século XIX que inventou o moderno aquário», Diário de Notícias, 31.05.2021, p. 14).

      «Do grego deinós, “terrível” + saũros, “lagarto”», lê-se na nota etimológica do respectivo verbete no dicionário da Porto Editora. Assim, até parece que foram dois portugueses, o Sr. Dici e o Sr. Onário (aproveitando uma boleia no jacto do primo deste, Onassis), que foram buscar à Grécia as duas palavras. Então, se fosse dessa maneira, porque não trariam uma só palavra, δεινόσαυρος, que a língua grega também tem? Essas etimologias são sempre enganadoras, como temos vindo a ver.

      Em Portugal, recebemos a palavra do inglês ou do francês. Em 1841, Richard Owen (1804-1892) apresentou uma comunicação na British Association for the Advancement of Science em que usou o neologismo Dinosauria, composto com os tais termos gregos, mas latinizados.

 

[Texto 15 189]

Léxico: «gelsolina»

Só gasolina

 

      «O estudo do grupo do Instituto Francis Crick, publicado esta quarta-feira na revista “Cell”, identifica uma proteína que está presente no plasma sanguíneo e também é expelida por células cancerosas, a “gelsolina segregada”, que interfere na resposta do sistema imunológico, bloqueando um recetor dentro das células dendríticas» («Identificada proteína que pode desbloquear imunoterapia contra o cancro», Rádio Renascença, 2.06.2021, 17h32). O mais próximo, nos nossos dicionários, é «gasolina».

 

[Texto 15 188]