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Linguagista

Léxico: «brunesa»

E está muito bem

 

      «Vinham a temperatura ambiente com a boa parceria clássica da batata e legumes em brunesa média (dados/cubos) num agradável molho leve onde também entrava maionese, e não “apenas” maionese, como por vezes se vê, o que torna a salada enjoativa» («Festa da família, à séria!», Fortunato da Câmara, «Revista E»/Expresso, 1.04.2021, p. 81). Pois, a brunoise francesa, que já tantas vezes vi. Não posso é dizer — nem me lembro — tudo no mesmo dia.

 

[Texto 15 201]

Léxico: «giesteira-das-serras»

Na fila de espera

 

      «O terceiro leva-nos até à serra da Malcata e à sua esquiva fauna de linces – a mais falada e a menos visível. Por ali crescem matizadas fauna e flora: urze, carqueja, giesteira-das-serras, rosmaninho, fetos, medronheiros e, quanto a bicharada, abutres, sapos-de-unha-negra, sardões, salamandras-de-pintas-amarelas, milhafres-reais, grifos, mochos-galegos e abelharucos» («Andanças fora dos carris», Humberto Lopes, «Fugas»/Público, 22.05.2021, p. 14).

      Com calma: ainda a Porto Editora não dicionarizou piorneira e piorneira-da-serra, que sugeri na semana passada.

 

[Texto 15 200]

Léxico: «maternalês»

Mães e pais

 

      «Mas o que é o maternalês? Comecemos pelo termo, que vem do inglês “motherese”. Há quem traduza para “maternês”, que não é consensual porque deixa de fora o pai (embora esta linguagem seja maioritariamente usada pelas mães), e quem prefira a expressão “parentês” (de “parentese”, em inglês) para incluir mãe e pai. Maior concordância reúne a palavra maternalês porque reporta ao discurso e não ao género de quem adota o discurso, explica Maria Filomena Gaspar, professora da Faculdade de Psicologia e Ciências Sociais da Universidade de Coimbra. Na prática, maternalês é a forma de os pais falarem com o bebé, usando um tom exagerado, um ritmo quase cantado e palavras pequenas e repetitivas carregadas de afetividade» («Falar à bebé, afinal, ajuda a desenvolver a linguagem», Inês Schreck, Notícias Magazine, 23.05.2021, p. 35).

 

[Texto 15 199]

 

 

Léxico: «cabo-de-mar»

Caprichos e confusões

 

      «Luz del Fuego, note-se, não temia exibir-se em nu integral, nos palcos e fora deles, numa época em que às mulheres não era permitido mostrar sequer o umbigo nas praias e os cabos-de-mar prendiam as que ousassem envergar biquínis» («A luz do fogo», António Araújo, Diário de Notícias, 5.06.2021, p. 35).

      A Porto Editora apenas o regista em dicionários bilingues. (E desde quando, António Araújo, os nomes, artísticos, de guerra, ou seja lá quais forem, se escrevem em itálico? Está errado — e gostava que fosse evidente.)

 

[Texto 15 198]

Léxico: «charango»

Dos Andes, deste mundo

 

      Porto Editora, podes pô-lo ao lado da charanga: «Em “Demolition Derby”, pela primeira vez neste trilho folky, não há ukeleles (“Mas há um charango, que também é um instrumento de cordas de nylon”) e há mais teclados do que nunca» («Quando o coração parte devagar», Lia Pereira, «Revista E»/Expresso, 7.05.2021, p. 68).

 

[Texto 15 197]

«Soalheiro e solarengo»: a confusão continua

Sem perdão

 

      Que algum amigo tenha misericórdia e lhe explique que é precisamente ao contrário do que afirma: «José Alberto Carvalho é ótimo pivô, excelente profissional... mas até no melhor pano cai a nódoa. Ouvi sexta-feira passada... Não se diz que o dia vai ser soalheiro, quando se fala da previsão do tempo. Diz-se que vai ser solarengo. Ai o novo amor, meu caro José...» («Soalheiro não», Carlos Dias da Silva, Nova Gente, 20-26.05.2021, p. 65).

      Carlos Dias da Silva, jornalista, critica um colega e não teve o cuidado de averiguar diligentemente se tinha razão no que estava a dizer. Ou será que apenas tem o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa? (E pensar que há espertalhões que têm exemplares à venda na OLX por 100 euros!) Lamentável.

 

[Texto 15 196]