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Linguagista

Léxico: «mátula | urinálise»

Mais desaparecidas na voragem dos tempos

 

      Nos nossos dicionários, nada. Quer dizer, nada agora, desapareceu dos dicionários: «Foi a arqueóloga Irisalva Moita que conduziu escavações na década de 60 na Praça da Figueira e no Rossio e resgatou pratos provenientes dessas enfermarias, do refeitório do hospital [Hospital Real de Todos-os-Santos], azulejos que marcavam o número das camas nas enfermarias. Há ainda cachimbos, uma vez que o tabaco, nesta fase do século XVI, tinha ainda uma utilização “essencialmente terapêutica”. E ainda uma mátula, que servia para fazer uma espécie de análise à urina. O hospital não seria destruído pelo terramoto, mas as pessoas ganharam medo ao Tejo. Acabaria desactivado em 1775» («Uma viagem ao interior da Lisboa pré-terramoto», Cristiana Faria Moreira, Público, 9.06.2021, p. 17). (Vejo que ignoram a história da urinálise.)

 

[Texto 15 233]

Léxico: «carrasquinha | tengarrinha | escólimo-de-espanha»

A que tens é outra

 

      «É um crime visitar esta adega [Adega da Casa de Monte Pedral, em Cuba] e não provar o feijão com carrasquinhas, um cardo que se apanha nos campos» («A cantar no país das uvas», Sandra Costa, Revista Saúda, Junho de 2021, p. 37). Não, não, Porto Editora, a carrasquinha que tu tens é a Quercus coccifera, um arbusto. Esta, uma herbácea comestível, é a Scolymus hispanicus, com vários nomes comuns além de carrasquinha e tengarrinha. Entre eles, escólimo-de-espanha. (De onde pensavas que derivava o apelido Tengarrinha, hã? Sim, José Pedro Machado estava enganado.)

 

[Texto 15 232]