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Linguagista

Léxico: «electrossolar | carocho»

Precisamos disto

 

      «No meio do rio Minho, ainda sem a nova ponte, estamos a bordo de um barco electro-solar (da empresa Olá Vida). Sem o ruído do motor e sem o cheiro a combustível, vamos espreitando as ilhas da Boega e dos Amores, as aves que aí encontram refúgio e alguns carochos amarrados aos ancoradouros» («A luta das redeiras e outras histórias do rio Minho», Luís Octávio Costa, Público, 19.06.2021, 9h01).

 

[Texto 15 255]

Léxico: «possidoneira»

Uma homenagem aos possidónios

                                                                                                                     

      Parece que também a esqueceste, Porto Editora: «E... quanto à qualidade de língua aplicada pela grande maioria de romancistas, masculinos e femininos, ela é pavorosa e de uma possidoneira que faz parar o trânsito na Rua Possidónio da Silva» (Páginas, Vol. 6, Rúben A. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 162).

 

[Texto 15 254]

Definição: «empreita»

Menos concisão

 

      Na terça-feira, na Antena 1, ouvi parte de uma reportagem da autoria de Cristina Santos sobre a empreita no Algarve. A repórter falou com a artesã Maria João Gomes, que faz empreita de palma. Ela própria, que está estabelecida em São Brás de Alportel, colhe as folhas de palmeira-anã, ou palmeira-das-vassouras (Chamaerops humilis), para usar nos seus trabalhos. Vejo com alguma apreensão que o dicionário da Porto Editora define empreita, nesta acepção, como o «tecido ou obra de esparto». Ainda que esparto seja designação comum, extensiva a outras plantas de que se extraem fibras para o fabrico de objectos diversos, não me parece bem que se defina tão concisamente o termo empreita. Todo o cuidado é pouco, tanto mais que superabundam os confusionistas e os de compreensão lenta.

 

[Texto 15 253]

Definição: «mirandês»

Pensemos nos outros

 

      «O dia do solstício de verão é também o dia da língua e da cultura mirandesa. Mirandês ou língua mirandesa é o nome que se dá a um conjunto de variedades linguísticas faladas na Terra de Miranda, território histórico que abrange os concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro; é também falada pela diáspora, espalhada por todo o mundo. O mirandês é uma língua secular, pertencente ao diassistema astur-leonês» («Do solstício e da língua mirandesa», Margarita Correia, Diário de Notícias, 21.06.2021, p. 28).

      Bem podiam os dicionários explicar isto, que o mirandês é falado na Terra de Miranda, e indicarem o território abrangido. A perspectiva deve ser sempre a de que o consulente sabe pouco ou nada. Assim, penso sempre no coreano Yeo ou na espanhola Pilar: será que eles vão perceber isto? Quanto à grafia «astur-leonês», é a primeira vez que deparo com ela, e não me parece que esteja correcta.

 

[Texto 15 252]