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Linguagista

Léxico: «fotobiográfico»

As tais falhas

 

      «A informação divulgada é falsa. Dá como atribuídos investimentos que não foram de todo feitos ou então que não aconteceram naqueles valores — no caso do livro fotobiográfico sobre Chico Buarque, um dos exemplos que aparece, a captação de investimento ficou aquém do que é exposto» («Fact Check. Não há dinheiro nos hospitais brasileiros porque foi desviado para livro de Chico Buarque?», Rita Tavares, Observador, 26.05.2020, 13h31).

 

[Texto 15 295]

A abreviatura FFAA, de novo

Mas pensem nisto de novo

 

      Sabiam que um texto meu sobre a abreviatura de Forças Armadas é o mais lido de todo o blogue? Pois é, parece mentira. Nele, defendia e argumentava que só pode ser FFAA. Passaram os anos e poucas vezes vejo a abreviatura correcta, mas aconteceu agora: «Se quisermos perceber o conflito em torno da pretendida reforma da Estrutura Superior das Forças Armadas (FFAA), que opõe militares de alta patente ao governo e a uma novel ad hoc aliança parlamentar PS-PSD-CDS, é inútil perder tempo com a ofensiva acusação de que os altos quadros das nossas FFAA recusam o primado constitucional do poder político democrático na definição e condução da política de Defesa» («Lógica política e gramática militar», Viriato Soromenho-Marques, Diário de Notícias, 3.07.2021, p. 10).

 

[Texto 15 294]

Léxico: «chibanço»

Eles querem lá saber

 

      «Amanhã saberei se foi roubo, chibanço ou ciúmes» (Romance de Cordélia, Rosa Lobato Faria. Porto: ASA Editores II, 1998, p. 74). Joana Amaral Dias é que devia (e, por outro lado, não devia...) ter lido este romance antes de escrever a sua crónica de 13 de Junho («Bufo real», Diário de Notícias, p. 10). Com sorte, ficava a saber escrever a palavra chibanço. Como também encontraria nele chibar e chibo, só não ficaria a saber escrever chibaria. Quanto a chibanço, nenhum dicionário (!) lhe podia valer. Parece mentira, mas é assim. Também parece mentira que o Diário de Notícias publique semelhantes dislates, mostrando assim em quão pouca conta tem os seus leitores. É o que temos.

 

[Texto 15 293]

Léxico: «ao resguardo de»

Para não ser só teórico

 

      Está bem, não perguntaram, mas eu digo-vos como é: «A desgraça somente deixa pentear palavras e acepilhar o estylo aquelles que por sua conta escrevem, bem prosperados, bem ao resguardo d’ella» (A Filha do Doutor Negro, Camilo Castelo Branco. Porto: Tipografia do Comércio, 1864, p. 106).

      Inacreditável é que todos os nossos dicionários registem a locução preposicional ao abrigo de, adaptação servil do francês à l’abri de, e não acolham esta. Aliás, saibam que se pode substituir aquela francesa por graças a, por meio de, por exemplo. É ver o contexto. Não é conselho somente para puristas, mas para quem já está farto dos mesmos caminhos, das mesmas palavras.

 

[Texto 15 292]