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Linguagista

Definição: «diverticular»

As melhoras

 

      «O Papa Francisco será este domingo submetido a uma cirurgia a “uma estenose diverticular sintomática do cólon” no hospital Policlínico Gemelli em Roma, informou o Vaticano» («Papa operado este domingo em Roma a um problema no intestino», TSF, 4.07.2021, 15h56).

      Andamos sempre a tropeçar em mistérios e curiosidades. O verbete de diverticular, no dicionário da Porto Editora (esqueceram-se de o aferrolhar no Dicionário de Termos Médicos), tem este apendículo: ⟨doença diverticular do cólon⟩. Hã?

 

[Texto 15 299]

Léxico: «base | volante»

Só no futebol, dizem?

 

      «As ginastas Rita Ferreira e Ana Teixeira conquistaram a medalha de ouro em duplas femininas no Mundial de Ginástica Acrobática, que decorreu em Genebra, na Suíça» («Portugal tem campeãs do mundo na Ginástica Acrobática», Rádio Renascença, 4.07.2021, 21h47). Uma delas, a mais forte, é a base; a mais leve, a mais ágil, porventura a mais rápida, é volante. Ora, o dicionário da Porto Editora (veja o leitor preguiçoso noutros) em base e volante nada diz em relação à ginástica acrobática.

 

[Texto 15 298]

Léxico: «metedeira | xerga | batano»

Coisas mal explicadas

 

      No domingo, vi na RTP uma parte de um episódio do programa Missão: 100% Português. Vera Kolodzig foi visitar uma fábrica de burel em Manteigas. Ao fim de uns minutos, já estava a ouvir uma palavra que não está nos nossos dicionários: metedeira. E mostraram duas metedeiras de fios a desempenharem a sua função.

      Nos dicionários, nada. Ora, pelo menos no caso do dicionário da Porto Editora, vemos um bem próximo: esbicadeira. No que respeita ao burel, não é o único vocábulo fora dos dicionários ou mal explicado. Veja-se este excerto: «À descoberta do burel. Poderia ser este o título do texto no qual nos propomos partilhar com os leitores o percurso de inovação que caracteriza o tecido artesanal português totalmente feito de lã. “Depois de carmeada e cardada, a lã transforma-se em mecha. A mecha é torcida na fiação e transforma-se em fio. O mesmo se passa pela urdideira originando a teia. O tear transforma a teia em xerga. A xerga passa pelo batano e por outros tratos e transforma-se finalmente em burel”. Explicações plasmadas numa folha de sala dedicada a trabalhos em burel» («As novas vidas do burel no mundo da moda», Dulce Gabriel, Jornal do Fundão, 5.12.2018).

      Quanto a xerga, a Porto Editora diz que é uma «espécie de burel; estamenha», mas creio que se pode inferir do excerto que é antes uma fase intermédia do processo de fabrico do burel. O vocábulo batano simplesmente não aparece em nenhum dicionário.

 

[Texto 15 297]