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Linguagista

Léxico: «sardinhofone»

Se até já há obras para ele...

 

      «E, como este Festival se realiza em Portimão, uma terra de mar e um porto de descarga de sardinha, o percussionista Vasco Ramalho pensou em algo diferente. “Pedi ao compositor Tiago Cutileiro para escrever uma obra para marimba e sardinhofone”, diz a rir. Explica que o “sardinhofone” é um instrumento inventado, feito com latas de sardinha. Porque, afinal, qualquer objeto serve para construir um instrumento de percussão e fazer ritmos que podem puxar a um pé de dança» («Ritmos e batidas sincopadas num festival de percussão», Maria Augusta Casaca, TSF, 25.06.2021, 9h19).

      Como outros instrumentos inventados — como instrumento, todos —, tem lugar nos dicionários, tanto mais que até já existe pelo menos uma peça composta propositadamente para ele. Pode objectar-se que é uma coisa episódica, pontual, mas encontrar-se amanhã ou daqui a duzentos anos uma qualquer referência e não haver um dicionário que elucide é o pior que pode acontecer. Aliás, os dicionários estão repletos de hápax bem mais inúteis.

 

[Texto 15 307]

Léxico: «engomadinho»

Para todos saberem

 

      «Todos os músicos têm a sua particularidade, a sua bizarria, bigodes ridículos uns, monóculo outros, há os ansiosos, os engatatões, os solitários, os grosseiros, os engomadinhos» («Da capo», Pedro Mexia, «Revista E»/Expresso, 19.02.2021, p. 52). Sim, tem de estar em todos os dicionários, de contrário, como vão os falantes — penso logo no coreano Yeo, na espanhola Pilar, nos abstractos milhares de vindouros — saber?

 

[Texto 15 306]

Léxico: «cúpula de calor | pirocúmulo-nimbo»

As certezas e as dúvidas

 

      «Um perigoso cocktail foi misturado, envolvendo massas de ar quente e cristas de alta pressão (os elementos centrais para criar a referida cúpula de calor), mas também ventos propícios, a altura do ano (perto do solstício, quando há mais tempo de luz solar) e uma situação de seca (mais de metade do noroeste dos EUA está nos graus mais elevados de seca). [...] Os portugueses, como os australianos e os californianos, bem sabem os efeitos de uma onda de calor na natureza. Graças às nuvens pirocúmulo-nimbo, resultantes de fenómenos extremos, a Colúmbia Britânica registou dezenas de milhares de relâmpagos entre 30 de junho e 1 de julho. Pelo menos alguns terão sido responsáveis por 62 fogos no espaço de 24 horas» («Cúpula de calor. Centenas de mortos e recordes que ninguém inveja», César Avó, Diário de Notícias, 4.07.2021, p. 28).

      O dicionário da Porto Editora regista, sugerido por mim, pirocumulonimbo, mas, se já antes acolhia cirro-cúmulo, fico com dúvidas sobre a grafia correcta. Se vivêssemos no Canadá ou nos EUA, já teríamos a locução heat dome nos dicionários.

 

 

[Texto 15 305]

 

Léxico: «leopardo-siberiano | íbis-japonês»

Para a nossa arca

 

      «O mesmo responsável também mencionou o aumento da população de outras espécies ameaçadas de extinção, como tigres e leopardos siberianos ou os íbis japoneses» («Panda já não espécie “em perigo” na China», Rádio Renascença, 7.07.2021, 9h02).

      Pois, não estão catalogados pela Porto Editora: leopardo-siberiano, ou leopardo-da-sibéria (Panthera pardus orientalis) e íbis-japonês, ou íbis-do-japão (Nipponia nippon). O dicionário da Porto Editora, na realidade, só regista leopardo-de-amur, o outro nome da Panthera pardus orientalis.

 

[Texto 15 304]