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Linguagista

Léxico: «feace | Feaces | feácio»

Foi um ar que lhes deu

 

      «Na Grécia, esta [a romãzeira] é uma planta já referida na Odisseia 7.115, como existente em jardins míticos, como os que os Feaces cultivavam» (Causas das Plantas, Teofrasto. Tradução, notas e comentários de Maria de Fátima Silva e ‎Jorge Paiva. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2020, p. 56). Nos nossos dicionários, nem rasto de Feace, Feaces, feácio. Foi um ar que lhes deu. Que interessa que seja da mitologia?

 

 

[Texto 15 352]

Definição: «ralenti»

Mais um desgosto para os taxistas

 

      «Grupo Parlamentar do Partido Socialista quer que o Governo proíba os carros que estão desnecessariamente ao ralenti, ou seja, parados, mas com o motor a trabalhar. A proposta deu entrada no Parlamento» («PS quer proibir carros ao ralenti para proteger o ambiente e a saúde», Nuno Guedes, TSF, 19.07.2021, 19h50).

      Está nos dicionários, mas o que me parece é que passam ao lado do cerne do conceito: o veículo estar parado. Veja-se, meramente como exemplo, a definição da Porto Editora: «MECÂNICA num motor de combustão, regime de baixas rotações em que o funcionamento é assegurado sem necessidade de accionar o acelerador». Sempre entendi o ralenti como o vejo definido, aqui, pela Goodyear: «O ralenti, no mundo do motor, é o regime mínimo a que o motor do carro pode funcionar sem “se calar” e sem auxílios externos, ou seja, sem pisar no acelerador. O ralenti ocorre quando o motor está a funcionar com o carro parado, as mudanças em ponto morto ou a embraiagem pressionada.»

 

[Texto 15 351]

Léxico: «inconforme»

Não me conformo

 

      «Pioneiro na reivindicação do direito ao palco para todos os corpos, mesmo os mais disformes ou inconformes (“Os corpos são como paisagens, e, tal como há paisagens diferentes, também há corpos diferentes — e todos têm a sua legitimidade”), [Raimund Hoghe] via-se como testemunha de uma Europa em que a ausência de um diagnóstico pré-natal eficaz ainda permitia anomalias como a sua vida» («O corpo mais inesperado da dança contemporânea europeia», Inês Nadais, Público, 16.05.2021, p. 23).

      Pois, não o tens, Porto Editora. No VOLP da Academia Brasileira de Letras — que hoje ostenta um novo intróito: «O sistema de busca do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, sexta edição, 2021, contém 382.000 entradas, as respectivas classificações gramaticais e outras informações adicionais.» — encontramo-lo.

 

[Texto 15 350]

Acervo e espólio, a confusão continua

Escasso conhecimento da língua

 

      Não sabia que o actor Rui Mendes já tinha morrido. Ah, não morreu? Então, é inépcia da jornalista Maria João Costa: «Entre os espólios doados destacam-se o do antigo bailarino, coreógrafo e figurinista Armando Jorge, o espólio e a biblioteca do ator e encenador Rui Mendes, a coleção de manuscritos originais do dramaturgo Carlos Selvagem doada pela família, o acervo da pintora, figurinista e cenógrafa Vera Castro, doado por Rui Morais e Castro e por último um quadro do pintor Manuel Amado» («Espólios de Rui Mendes e Armando Jorge doados ao Museu do Teatro e da Dança», Maria João Costa, Rádio Renascença, 20.07.2021, 14h58).

 

[Texto 15 348]