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Linguagista

Léxico: «sociodemografia»

Nem um, caramba

 

      «Perdeu [o programa de Filomena Cautela, que nunca vi] em seis dos oito grupos etários, em ambos os sexos e em todos os grupos sociodemográficos» («Lava-cérebros», Eduardo Cintra Torres, «Sexta»/Correio da Manhã, 25.06-1.07.2021, p. 50).

      Com que então nenhum dicionário regista o vocábulo sociodemografia, sim senhor... Só não perdem a cabeça porque está agarrada ao pescoço.

 

[Texto 15 372]

Léxico: «vibracional»

Irracional

 

      «O projecto do casal vai também desenvolver ao longo do ano uma série de concertos meditativos. O conceito é semelhante às sessões na água: “O público está nas pranchas, assiste ao concerto deitado e os músicos estão aqui na margem com os pés na água. O que torna isto muito interessante é que, como são concertos meditativos, só usam instrumentos vibracionais. Ou seja, além de os ouvirmos, conseguimos sentir as vibrações na água”, explica Victor [Hugo, da Kay.up Douro Valley]» («Da serra ao rio, a harmonia entre a ruralidade e a natureza», José Volta e Pinto, «Fugas»/Público, 17.07.2021, p. 12). Eis a pergunta: «Queria pesquisar irracional

 

[Texto 15 371]

Léxico: «olivoturismo»

Seja bem-vindo

 

      «Um dos locais mais bonitos da [Herdade da] Urgueira é a beira-rio, onde está a réplica de um antigo lagar de azeite, com a maquinaria original preservada – ponto de partida para o projecto de olivoturismo da herdade» («O azeite, o mel, o vinho e o mais que nos dão as Terras de Oiro», Alexandra Prado Coelho, «Fugas»/Público, 17.07.2021, p. 7).

 

[Texto 15 370]

Léxico: «naufragador»

As palavras de que precisamos

 

      O inglês shipwrecker deve ter o mesmo estatuto do nosso naufragador — pouco usado, não reconhecido nem dicionarizado. E, contudo, em casos contados, faz(em) falta. Foi com um desses casos que deparei: no original, francês, lia-se naufrageur e, por razões que não vêm agora ao caso, tive de optar por «naufragador». O Dicionário de Francês-Português da Porto Editora vai logo pelo mau caminho de propor para o termo a tradução (a propender mais, como em tantos casos, para a definição) «(saqueador) provocador de naufrágios». Não são necessariamente a mesma coisa — no texto da minha tradução não é mesmo nada disso. Não há ali nenhuma ideia de saque por detrás, somente um navio que abalroa, deliberadamente, outro.

 

[Texto 15 369]

 

Léxico: «bolaria»

Chamo a testemunha João de Araújo Correia

 

      «Quando chegamos à bolaria Tavares & Marques, pedem-nos para aguardar um pouco. O proprietário, Arlindo Tavares, está a terminar uma coisa e vem já» («O azeite, o mel, o vinho e o mais que nos dão as Terras de Oiro», Alexandra Prado Coelho, «Fugas»/Público, 17.07.2021, p. 4).

      Está bem, pode ser, nesta acepção, mais um desses neologismos que surgem agora em abundância. Mas, então, e bolaria para exprimir — como ouvi toda a vida — grande quantidade de bolos, onde pára ela? É que não a vejo em nenhum dicionário. «— Está mais alto! Está mais gordo! Vê-se que o mestre o tem tratado bem. E bolos? Muita bolaria? Mostre as mãos» (Cinza do Lar, João de Araújo Correia. Régua: Imprensa do Douro Editora, 1970, p. 176).

 

[Texto 15 367]