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Linguagista

Léxico: «traça-da-oliveira» e outros

Tudo faz falta

 

      «Os estudos realizados permitiram determinar que há “116 espécies de pragas consumidas pelos morcegos”, entre as quais se destacam a traça-da-oliveira (Prays oleae), a mosca-de-asa-manchada (Drosophila suzukii), a traça-da-uva (Lobesia botrana), a lagarta-do-sobreiro (Lymantria dispar), o bichado-da-castanha (Cydia fagiglandana), a lagarta-do-tomate (Helicoverpa armigera) e a processionária-do-pinheiro (Thaumetopoea pityocampa)”» («Morcegos revelaram-se eficazes contra 116 espécies de pragas no Vale do Tua», Jornal de Notícias, 16.07.2021, 17h31).

 

[Texto 15 378]

Léxico: «barriga-negra» e outros

Não serve

 

      «Graças ao trabalho feito a cada dia do ano pela gestão de [Carlos] Alcario da Zona de Caça Turística do Pereiro, garante-se as condições ideais do terreno, a limpeza do mato e da esteva, que sempre ameaça tomar conta do campo, a comida farta e a água – foram instalados pela propriedade 500 bebedouros artificiais, a somar às charcas e à ribeira – para as espécies que ali se fixaram. Nos últimos anos, tem chegado de tudo – e Alcario conhece cada espécie pelo nome e pela quantidade ao dia de hoje. Há populações enormes de veados, que imigraram de Espanha pelas melhores condições de vida que encontraram em Alcoutim, “há três águias-de-bonelli, que era coisa que aqui nunca existiu, há abetardas, barrigas-negras e até famílias de linces-ibéricos, graças a este mosaico que aqui criámos”, relata» («Onde a perdiz é rainha há um mundo de biodiversidade que a caça ajuda a criar», Joana Petiz,  Diário de Notícias, 18.07.2021, p. 4).

      Não, Porto Editora, barriga-de-freira não serve, tem mesmo de ser barriga-negra. E já viram como, por vezes, é uma parte do corpo do animal que serve para lhe compor o nome? E então temos asa-branca, barba-ruiva, bico-de-agulha, bico-cruzado, bico-gordo, bico-grosso... (Acho que só tens dois destes, Porto Editora. Dois em seis; ainda podia ser pior.)

 

[Texto 15 377]

Léxico: «faroestiano»

Eu não estava lá

 

      «Bratsk à noite: restaurantes farwestianos, nos quais, misturando vodca, conhaque e champanhe, se bebe e dança à grande, sob a vigilância, por vezes rude, dos zeladores dos bons costumes» (URSS mal amada, bem amada, Fernando Namora. Lisboa: Bertrand Editora, 1986, p. 21). Eu não estava lá nem para rever nem para aconselhar, e saiu assim. Se temos faroeste, é claro que a grafia é faroestiano, que, diga-se, já tenho visto.

 

[Texto 15 376]

Léxico: «nau»

Quase, quase

 

      «Grande nau, grande tormenta!...» («Consummatum est», Ribeiro Cristóvão, Rádio Renascença, 16.07.2021). A grande nau, aqui, é o Benfica, e a tormenta aí está. Dá-se o caso de o dicionário da Porto Editora, no verbete nau, acolher o provérbio (porque não o faz com todos os provérbios?), com uma explicação, «quanto mais alta é a função, maior é a responsabilidade», que não se me afigura a melhor.

 

[Texto 15 375]

Léxico: «melão-do-cordofão | cordofanês»

Subespécies

 

      «Apesar de ser um fruto muito produzido mundialmente, as origens da melancia domesticada (Citrullus lanatus vulgaris) sempre foram incertas. A sequenciação do genoma do melão do Cordofão (Citrullus lanatus cordophanus), uma fruta do Sudão com polpa esbranquiçada e não amarga, veio revelar que esta subespécie é o parente selvagem mais próximo das melancias domesticadas» («Melancia terá sido domesticada no Nordeste de África», Ana Francisca Gomes, Público, 24.07.2021, p. 49).

      Estás a ver, Porto Editora, a importância de indicar a subespécie nas definições? Logo, Citrullus lanatus spp. vulgaris e Citrullus lanatus spp. cordophanus. Também não percebo porque não registam os nossos dicionários o vocábulo cordofanês.

 

[Texto 15 373]