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Linguagista

Titivillus está presente

Fala-se nele e ele aparece

 

      «Aos tipógrafos e aos revisores competia ainda esconjurar o danado do Titivillus, que é um demónio que trabalha a soldo de Lúcifer com o diabólico encargo de colocar gralhas e erros nos textos dos humildes escribas. Ao que parece, Titivillus foi concebido na Idade Média: imagine-se um copista que passa meses, anos a fio, a transcrever um parágrafo apenas, em caligrafia gótica e linda, com floreados iluminados, e, às tantas, numa distracção de segundos, comete um lapsus calami e borra a pintura toda. A culpa, é óbvio, só pode ser do Demo vil, in casu do seu servo Titivillus» («Cereais, masturbação e outros desatinos», Diário de Notícias, 14.08.2021, p. 34).

      Como o escriba presunçoso parece troçar de Titivillus, pumba!, o ajudante de Lúcifer sujou-lhe o texto umas linhas mais à frente: «Além do vegetarianismo, da abstinência de álcool e de tabaco, Kellogg acreditava que a salvação da humanidade estava nas nozes, e que só estas conseguiriam ser produzidas à escala necessária parta alimentar todo o planeta.» Como o DN já nem sabe o que são demónios do impressor, lá ficou a mancha. Para sempre. Parta sempre.

 

[Texto 15 406]