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Linguagista

Léxico: «microestado | micronação»

Assim não nos entendemos

 

      «Hans-Adam II tem por título oficial príncipe de Liechtenstein, duque de Troppau e Jägerndorf, conde de Rietberg, soberano da Casa de Liechtenstein e uma fortuna familiar estimada em 7,6 biliões de dólares e uma fortuna pessoal de 4 biliões de dólares, sendo um dos chefes de Estado mais ricos do mundo e o monarca mais rico da Europa, rainha Isabel II incluída» («Para além do bem e do mal», António Araújo, Diário de Notícias, 28.08.2021, p. 33).

      Eh lá, António Araújo, menos exageros: num texto, datado de 2019, do Observador («300 anos de Liechtenstein: 176 kms [sic] quadrados e um monarca (quase) absoluto», 23.11.2019, 11h33), lia-se isto: «No pequeno Liechtenstein, a dinastia tem uma fortuna avaliada pela Forbes em, pelo menos, 3.200 milhões de euros, uma das mais elevadas entre os monarcas europeus. De onde vem o dinheiro?» Já está a ver onde está o erro? (Quanto a ti, Porto Editora: o Liechtenstein não está na tua enumeração meramente exemplificativa do conceito de microestado, o que, evidentemente, não está errado, mas creio que tens de rever a definição: «estado ou país de dimensões geográficas muito reduzidas (Andorra, Vaticano, San Marino, etc.)», dizes. Corrigindo um pouco: «Estado ou país de dimensões geográficas muito reduzidas e escassa população (Andorra, Vaticano, São Marino, Liechtenstein, etc.)». Só um retoque. E mais: não acolhes o vocábulo micronação, que é um conceito diferente.

 

[Texto 15 430]

Léxico: «escalfado»

Não só ovos

 

      O presidente comeu «cold poached salmon with a salad». Se o falante chegar lá pelo verbo no dicionário da Porto Editora, está tudo bem: «meter algum tempo em líquido muito quente sem deixar cozer (ovos, etc.)». Se, porém, como até é mais natural, for pelo adjectivo, a coisa pode já não correr tão bem: «diz-se do ovo passado por água muito quente». Porto Editora, concerta lá isto.

 

[Texto 15 429]

Léxico: «hexavalente»

Mais vacinas

 

      «Joana fez 10 anos agora e vai entrar no 5.º ano. Os pais, assim que chegaram de férias no final de julho, quiseram marcar o reforço da vacinação contra tétano, difteria e tosse convulsa, mas no centro de saúde a que pertencem, na região do Grande Porto, foi-lhes dito que “não havia vacinas para administrar, devido a uma rutura de stock”. Portanto, naquele momento, a administração desta vacina combinada, conhecida como hexavalente, estava suspensa até haver vacinas» («Erro informático atrasa vacinação contra o tétano na região norte», Ana Mafalda Inácio, Diário de Notícias, 28.08.2021, p. 11).

      Conhecida como hexavalente, mas a Porto Editora só acolhe a palavra em alguns dicionários bilingues. Pergunto, e nunca antes o fiz em relação a estas falhas: porquê só em alguns e não em todos os dicionários bilingues? Seja como for, pior mesmo é não estar no dicionário geral. (E reparem: «região norte», e não, como tantas vezes se lê, «Região Norte» ou «região Norte».)

 

[Texto 15 428]

Léxico: «talibânico»

Mais do que nunca

 

      Agora é que eles entraram em força no nosso quotidiano informativo, por isso o adjectivo vinha a calhar: «Todos os que, de algum modo, colaboraram com forças internacionais na tentativa de estabelecimento deste modelo de sociedade tornam-se agora alvos preferenciais da fúria “talibânica”, da sua sede de vingança. Entre estes encontram-se os tradutores e os intérpretes afegãos, explicitamente mencionados por um porta-voz da Casa Branca como prioritários no salvamento em curso. E mais uma vez a realidade ultrapassa a ficção» («Intérprete, ficção e realidade», Margarita Correia, Diário de Notícias, 16.08.2021, p. 26).

 

[Texto 15 427]