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Linguagista

Léxico: «ostraria | pregaria»

O tempo não parou

 

      A menos de trezentos metros da minha casa, abriu agora uma luxuosa ostraria e pregaria. O mundo, aos tropeções ou em passo firme e elegante, avança, pelo que não podemos, como alguns queriam, governar-nos apenas com as palavras e acepções do tempo do visconde de Correia Botelho. E se ele era bom!... Mas está morto.

 

[Texto 15 438]

Léxico: «substrato | hortofruticultor»

Nenhum o regista

 

      Se formos floricultores ou horticultores (ou hortofruticultores, mas isto já a Porto Editora não sabe o que é), prestaremos atenção a um só substrato, que não é deste que agora vos falo. Mas o mundo é mais do que isso, e os meios de comunicação não se cansam de nos dizer que a indústria mundial está a sofrer com a escassez de chips. Veja-se o caso da nossa Autoeuropa, que, por causa da falta de semicondutores, se tem visto obrigada a paragens na produção. Só que, a esta escassez, veio juntar-se outra, relacionada: justamente a de substratos. (Um incêndio, em Março deste ano, da Naka Factory, em Hitachinaka, Japão, foi um duro golpe.) Nesta acepção, substrato é a pequena placa de circuito impresso que serve de suporte ao chip propriamente dito, e que faz a sua interligação com a placa-mãe onde vai ser inserido. Não vale a pena procurarem este substrato nos dicionários.

 

[Texto 15 437]

Léxico: «passeio»

Temos vários

 

      Aqui em Cascais há vários arruamentos com a designação de passeio — Passeio Carlos Andrade Teixeira, Passeio Dom Luís I, Passeio Doutor José Dias Valente, Passeio Homem Cristo, Passeio Luís Pinto Coelho, Passeio Rainha Dona Maria Pia. Ora, como arruamento, não vejo esta acepção nos nossos dicionários.

 

[Texto 15 436]

Léxico: «abaia»

O que esperam?

 

      «As estudantes afegãs estão interditadas de frequentar aulas de classes mistas, obrigadas a usar abaya, o vestido negro tradicional em alguns países islâmicos, e a cobrir o rosto com um véu, “niqab”, segundo um decreto do regime talibã» («Estudantes afegãs só podem frequentar aulas unissexo e têm de usar abaya e niqab», Rádio Renascença, 5.09.2021, 16h33). Com aspas, sem aspas, enfim, como calha. Não percebo porque não usam os termos aportuguesados, abaia (que a Porto Editora ainda não dicionarizou) e nicabe.

 

[Texto 15 435]