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Linguagista

Léxico: «cientifiquês»

Tinha de ser

 

      «Bruno Gonçalves, o presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, do Instituto Superior Técnico, afirma, com algum cientifiquês à mistura, que o objectivo [do íman Central Solenoid] é produzir energia limpa» (Hugo Neutel, TSF, noticiário das 22h00, 7.09.2021). E anda aí por livros, para que saibam. Tinha de ser.

 

[Texto 15 442]

Léxico: «mapa do motor»

Outros mapas

 

      O Guilherme (não, vocês não conhecem, é o vizinho do 9.º A) está sempre a falar em mapa do motor. Neste momento, diz ele que está a fazer alterações no mapa do motor de uma carrinha Audi. O mapa do motor é então a programação do motor, é ela que, com base nos dados de entrada, define os valores de saída para os actuadores. Ah, não, não está tudo por fazer: no ano passado, lembro-me bem, pus actuador no dicionário da Porto Editora: «dispositivo que, num mecanismo ou num servomecanismo, possibilita a movimentação de cargas».

 

[Texto 15 441]

Léxico: «freio-bridão»

Procurem na Decathlon

 

      «O mesmo não se passa com os equídeos, que temos de primeiro domar pela força, por entre cabrestos, esporas e chicotes, e, peça de domínio fundamental, um freio a atravessar a boca, ligado às rédeas. Este equipamento metálico — com as variantes de bridão, freio-bridão e freio — assenta numa zona da cavidade bucal do cavalo que induz dor aguda, se o puxão for forte, ou ameaça de dor, se os puxões da rédea forem gentis» («A vez dos cavalos», Graça Castanheira, «P2»/Público, 8.08.2021, p. 2).

      Os nossos dicionários têm freio e bridão,freio-bridão é coisa da Decathlon. E de artigos de jornal. E de obras literárias.

 

[Texto 15 440]

Definição: «soenga»

Outra receita

 

      «“Quis reproduzir, aqui, a experiência vivida durante o processo de cozedura das peças na soenga. Foi um momento muito especial, místico”, diz Noé [Duchaufour-Lawrance], que descobriu o barro negro numa visita ao Museu Nacional de Etnologia e só depois a técnica ancestral (numa cova feita no chão, as peças são colocadas sobre casca de pinheiro, ervas e raízes secas, e depois cobertas com torrões de terra, ateando-se-lhes o fogo)» («Uma mão-cheia de novas galerias», Susana Lopes Faustino, Visão, 22.10.2020, p. 93).

      A receita da Porto Editora é mais sucinta. Prefiro a de Susana Lopes Faustino, que será a de Noé Duchaufour-Lawrance e a dos artesãos portugueses.

 

[Texto 15 439]