Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «chaveiro»

Veio do Brasil

 

      Está bem que, nesta acepção, é termo só usado no Brasil, mas ele, sósia de Mr. Bean, tem uma lojinha num centro comercial em Lisboa e o nome da empresa é Chama o Chaveiro, Lda. E não combinámos já que se devia dicionarizar todos os termos usados em todos os países de língua oficial portuguesa? Então, aí está. Chaveiro é, nesta acepção, aquele que faz cópia de chaves e conserta fechaduras.

 

[Texto 15 462]

Léxico: «turbocomprimido»

Que tem turbocompressor

 

      «O pequeno motor, de três cilindros e 900 cc de capacidade, aloja-se na traseira do Smart, é turbocomprimido — dois atributos que costumamos encontrar nalguns desportivos de topo — e tem uma sonoridade bem agradável. Não chegam muitas vibrações ao habitáculo, mas esta arquitetura traz dois problemas, que são o calor que se sente na mala e a sua pouca capacidade, devido ao espaço ocupado pelo motor» («Forfour está mais Smart que nunca», Reis Pinto, Jornal de Notícias, 13.08.2016, 15h45).

 

[Texto 15 460]

Como se escreve por aí

Não façam isso

 

      «Se a imagem lhe causa calafrios, dispensa as apresentações. Para os menos familiarizados, aqui vai ela: eis a palmatória, menina dos cinco olhos, férula ou Santa Luzia. Formada por uma haste e um círculo, feita de madeira, adotada nas escolas algures no século XIX e usada durante grande parte do século XX, a palmatória foi um aliado indispensável para os professores e o terror de muitos alunos» («Dói só de olhar», Ana Tulha, Notícias Magazine, 11.09.2021, p. 6).

      Primeiro, endireitemos um pouco as coisas: «Se a imagem lhe causa calafrios, dispensa apresentações. Para os menos familiarizados, aqui vai ela: eis a palmatória, menina-de-cinco-olhos, férula ou santa-luzia.» (Sem AO90, para mim.) E não é ridículo que se descreva a palmatória — objecto que eu nunca vi à minha frente — daquela maneira, coincidente com a definição dos nossos dicionários, e a imagem que ilustra o texto seja de uma palmatória brasileira, que não apresenta nenhum círculo, antes parecendo uma panela de escape? Francamente. Bem podem orar a Santa Luzia, padroeira das pessoas com problemas visuais.

 

[Texto 15 459]

Axípeto e axífugo, divorciados

Como dois desconhecidos

 

      «Quatro homens foram detidos e cerca de 177 quilogramas de cocaína foram apreendidos pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de uma “complexa operação” que identificou uma base logística dos narcotraficantes na região da Grande Lisboa. [...] A investigação prossegue, de acordo com a PJ, que nesta operação, denominada “Axípeto”, teve a colaboração da Autoridade Tributária» («Quase 200 quilos de cocaína escondidos em contentores de feijão», Rádio Renascença, 13.09.2021, 14h32). Operação complexa, sim, a começar logo pelo nome: Operação Axípeto. Ena. Ora, para cada -peto há sempre um -fugo, e, por isso, seria bom que, nos respectivos verbetes, a Porto Editora indicasse o antónimo. Trocava a peixota por isto, verdadeiramente útil.

 

[Texto 15 458]

Como se aplica o AO90

Desta forma miserável

 

      «Isso é irónico, porque Darwin tem sido frequentemente usado como um símbolo não apenas da “vitória” dos europeus e da sua “civilização”, mas também do seu conhecimento e ciência, em contraste com as crenças “irracionais”. Aqueles que se percebem como vencedores nesta “dupla” vitória são, de fato, aqueles que tanto temem qualquer crítica ao seu ídolo, pois a percebem como uma crítica a si próprios» («Racismo, machismo, eurocentrismo e a idolatria de Darwin», Rui Diogo, Diário de Notícias, 13.09.2021, p. 14).

      Está bem que Rui Diogo não está a ensinar em Portugal, deo gratias, mas na Universidade de Howard, só que esta forma de entender as regras do AO90 não deixa de ser deletéria. Do Diário de Notícias, infelizmente, também já não podemos esperar nada de bom.

 

[Texto 15 457]