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Linguagista

Léxico: «ficcionalidade»

Para fechar

 

      «O seu equívoco parece residir não na consideração da ficcionalidade como propriedade relacional – este é, aliás, um dos pontos principais a demonstrar neste capítulo. Os problemas surgem realmente quando se inflaciona a semântica (uma reminiscência de Bentham?) e, dentro desta, os conceitos de “referência” e de “verdade”» (Teoria da Literatura e Interpretação: o século XX em 3 argumentos, Ricardo Namora. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, p. 151).

      Esta é das tais que apenas luminárias que escrevem sobre literatura usam entre nós. Nos dicionários, nem rasto. Ficam os leitores às escuras. «Queria pesquisar funcionalidade

 

[Texto 15 487]

Léxico: «mutazilismo | mutazilita»

Ora, tudo isto existe

 

      E a propósito da palavra anterior, lembrei-me agora do vocábulo mutazilismo (e mutazilita), que designa a escola teológica muçulmana fundada no século VIII em Baçorá e desaparecida no século XIII. Usada há largas décadas entre nós em obras historiográficas, não a vejo nos nossos dicionários. Uma espécie de fatalidade.

 

[Texto 15 486]

Léxico: «aljamiado»

Fica explicado

 

      «O uso da língua portuguesa pelos judeus, entre si, encontra-se comprovado pela existência do português aljamiado, ou seja, escrito em caracteres hebraicos, nos próprios livros de orações do século XV (H. P. Salomon, An ancient Haggada text in portuguese aljamiado, artigo a publicar no próximo volume dos Arquivos do Centro Cultural Português, Fundação Calouste Gulbenkian, Paris)» (Os Judeus em Portugal no Século XV, Vol. 1, Maria José Pimenta Ferro Tavares. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 1982, p. 150).

 

[Texto 15 485]

Léxico: «creparia», de novo

Essa é boa

 

      Quem é que não sabe que em Leça da Palmeira há um restaurante de nome Sushiaria? Está bem, pronto: 99,99 por cento dos meus leitores não sabiam. O Dicionário de Chinês-Português da Porto Editora não regista o termo 壽司店, mas, se fosse o caso, imagino que optariam por traduzi-lo por «sushiaria» — que depois, quase fatalmente, se esqueceriam de levar para o dicionário geral... (E lá ficou o proprietário da Creparia e Gelataria Rosina, em Bragança, a pensar que não sabe português, porque a Porto Editora não dicionarizou «creparia». Essa é boa... Há uns anos, alguém, empresário ou linguista, que optasse pelo sufixo -eria para criar um termo semelhante corria o risco de o ver apontado como erro. Agora, querem que seja ao contrário.)

 

[Texto 15 483]

Hipertireoidismo e hipotireoidismo

Faltam remissões

 

      «“A tiroide é uma glândula que temos na base do pescoço, que produz hormonas fundamentais para uma série de funções orgânicas. Há casos em que trabalha de mais, o hipertiroidismo, e casos em que trabalha de menos, o hipotiroidismo. E essa desregulação tem repercussões a todos os níveis. A pessoa não se sente bem”, explica a radiologista Leonor Fernandes» («Tiroide. Uma nova esperança. E sem cirurgia», Catarina Silva, Notícias Magazine, 18.09.2021, p. 41).

      Vou ser repetitivo, Porto Editora, mas para teu bem: porque é que de hipertiroidismo remetes para hipertireoidismo, mas não deste para aquele? E porque fazes o mesmo em hipotiroidismo, em que remetes para hipotireoidismo, mas não deste para aquele?

 

[Texto 15 482]