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Linguagista

Léxico: «muda»

Não só da zoologia

 

      Porto Editora, esqueceste-te desta acepção da horticultura: «Algum tempo depois de eu ter lido o artigo da Fortune, o Dr. Muchima informou-me que ia aos Estados Unidos da América, ao serviço da cooperativa, e eu pedi-lhe para ficar lá mais alguns dias e ir à Universidade de Davis, para tentar trazer algumas mudinhas daquelas variedades sem grainha» [conta António Silvestre Ferreira]» («“A marca Vale da Rosa resulta desta forma de cuidar das uvas com amor”», Sem Grainha, ed. 1, Agosto de 2021, p. 17).

 

[Texto 15 503]

Léxico: «churchilliano»

Ora cá temos mais uma clandestina

 

      «O que é atrativo na imagem pública de Churchill é o modo como a sua personalidade é determinante na sua política. Churchill foi um governante livre, pouco preso a grandes ideologias mas suficientemente sensato para dar valor às tradições, de tal modo que os seus anos à frente da Grã-Bretanha têm um cunho retintamente churchilliano. Há algumas encrencas, próprias de um homem desembaraçado mas não excessivamente cuidadoso, alguma bravata e um heroísmo que, de facto, empurraram o país para uma jornada épica. É famoso o humor churchilliano, mas é também esta sua maneira de olhar para o seu próprio tempo com olhos novos que dão tão depressa à Segunda Guerra Mundial a noção de que se vivia um tempo histórico» («Churchill: o protagonista perfeito», Carlos Maria Bobone, Observador, 25.01.2020, 16h54). Não a tens, Porto Editora, mas vamos encontrá-la em bons dicionários e vocabulários.

 

[Texto 15 502]

Léxico: «faca-de-mato»

Elementar, mas...

 

      «“A cena passou-se à minha frente na terça-feira passada no bairro Modoua”, afirmou Jean-Sylvestre Tchya, de 35 anos, dando o exemplo de um muçulmano que foi “surpreendido por um grupo de pessoas que o linchou e decapitou com um machete”» («Canibalismo e linchamentos na República Centro-Africana», Jornal de Notícias, 11.01.2014, 16h09).

      Dizes, Porto Editora, que machete é a «grande faca-de-mato para abrir passagem nas florestas», e não me parece que estejas errada. Contudo, quando queremos entrar no verbete faca-de-mato, só não batemos com o nariz na porta porque se abre o verbete faca, onde o encontramos. Ora, se a grafas com hífenes, tem de ter um verbete autónomo, tão simples quanto isto.

 

[Texto 15 501]

Léxico: «ficante»

Os passantes e os ficantes

 

      «Lojas de artesãos, guardiões de presépios, bancas de frituras, doces, chocolates (Gay-Odin), gelados, peixes, mariscos, frutos e vegetais frescos, amuletos e bugigangas, mulheres e homens, rapazes e raparigas, crianças, homens à janela em camisola interior (de alças, autênticas, de branco), estendais verdadeiros iguais aos estendais decorativos turísticos, carros, motoretas, bicicletas, transeuntes e ficantes, músicos e cantores em esquinas de rua ou varandins, canteiros de flores e mais flores, pequenos altares de devoção popular, tudo ao mesmo tempo, sonoro e em movimento» («Nápoles bem-amada», Alexandre Melo, «Revista E»/Expresso, 20.08.2021, p. 34). «Queria pesquisar filante, fixante, micante, picante

 

[Texto 15 500]