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Linguagista

«Pelitruante»?

Vá, agora em português

 

      «“O PS fez uma campanha numa gritaria extraordinária. O primeiro-ministro gritou mais alto que André Ventura, que, na noite de domingo, desapareceu”, disse, à Renascença, animado, pela surpresa do líder do de [sic] Lisboa. “Ganharam aqueles que não são pelitruantes. São o contrário. Como Carlos Moedas, Santana Lopes e Rui Moreira, indicou. António Costa foi demasiado “tonitruante e, por isso, acabou por perder votos”, analisou o filósofo» («José Gil. “Perdeu Fernando Medina, mas perdeu também a estratégia da gritaria”», Pedro Mesquita, Rádio Renascença, 27.09.2021, 18h39). Os pelitruantes e os tonitruantes...

 

[Texto 15 508]

Léxico: «poda verde | bagoinha | orelha»

Aprendamos

 

      «Os enxertos (encaminhar as plantas para crescerem de forma correta), a poda verde (retirar folhas verdes em excesso), a poda ou marcação das varas, a puxa da lenha, a bagoinha (monda dos bagos pequenos) e o tirar a orelha (eliminar pequenos cachos secundários para dar vigor e uniformidade ao cacho principal) são algumas das operações que faz e ensina com mestria» («Gente que sabe o que faz», Palmira Pereira, Sem Grainha, ed. 1, Agosto de 2021, p. 9).

 

[Texto 15 506]

Plural: «álcool»

Para queima

 

      «Ruzena nada sabia de álcoois de luxo e, por isso, pediu whisky, à falta de saber designar outra bebida» (Valsa do Adeus, Milan Kundera. Tradução de Miguel Serras Pereira. Alfragide: Leya, 2015, p. 170).

      Porto Editora, acrescenta aí os plurais de álcool, já vi que fazem falta. E a propósito de álcool: recentemente, encontrei, pela primeira vez, a locução álcool de/para queima, no caso para traduzir o francês alcool à brûler. Sim, há muitos álcoois, e todos eles deviam estar nos dicionários.

 

[Texto 15 505]

Léxico: «chaus»

Mil vezes ignorantes

 

      O caso conta-se em poucas palavras. No original, inglês, estava chavush. Já sabemos que os Ingleses se apropriam de tudo (a começar pelos mármores do Pártenon?). A solução do tradutor foi ir buscar o étimo do termo inglês — que é o turco çavuş — e pespegá-lo no texto. Ora, no Dicionário da Real Academia Espanhola encontramos o termo — chauz, que é, «entre los árabes, portero de estrados, alguacil o ministro del juez». E onde foram os Espanhóis buscar o vocábulo? Eles o dizem: «Quizá del port. chaus, y este del turco çavuş.» E nós aqui acanhados, encolhidos, a ter (faz de conta) de recorrer ao turco. Francamente...

      «Mesmo Lusitano, que me sabia em Istambul, a única notícia que tivera sobre as minhas aventuras, obtida por intermédio do chaus otomano, era a libertação das senhoras Mendes» (A Senhora Gracia Nasi e a saga dos judeus no século XVI, Catherine Clément. Tradução de Maria do Rosário Mendes. São Paulo: Editora 34, 2002, p. 134).

 

 

[Texto 15 504]