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Linguagista

Léxico: «levantamento»

Usada todos os dias

 

      «O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Jorge Cid, reafirmou esta quinta-feira a necessidade de ser feito um levantamento nacional dos animais abandonados para acabar com o abandono» («Bastonário dos Veterinários defende urgência de levantamento de animais abandonados», TSF, 26.08.2021, 12h48).

      A verdade, Porto Editora, é que não te podes gabar de ter explicitamente esta acepção de levantamento.

 

[Texto 15 513]

Léxico: «imagiologista»

Já temos «imagologista»

 

      «Carlos Cortes adverte que devido à falta de imagiologista, “qualquer pedido urgente poderá ser protelado até às 13:00 ou mais horas, ou então, deslocar-se-á o doente ao polo A nesse período acompanhado por médico e em situação emergente”» («“É insustentável”: Ordem denuncia falta de imagiologista na urgência dos Covões em Coimbra», Expresso, 4.08.2021, 11h46). O quê, também não está nos nossos dicionários?! Nem meia dúzia de W. C. Minors daria conta da empreitada. Felizes, têm um compassivo e incansável H. S. Guégués.

 

[Texto 15 512]

Léxico: «manche»

Uma questão de género

 

      «Puxou o manche com desespero. O avião obedeceu docilmente e subiu, quase raspando com as rodas no tejadilho do jipe» (O Quase Fim do Mundo, Pepetela. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 3.ª ed., 2016, p. 165). Mas não é a manche? Pois, eu também não queria, mas usa-se, pelo que tens de o dicionarizar, Porto Editora, o que decerto contribuirá para se usar melhor.

 

[Texto 15 511]

Léxico: «despeneiranço»

Se aparece em jornais, está na hora

 

      «Quando é que entrou e para que especialidade?», pergunta Manuel Carlos Freire em entrevista ao tenente-general do Exército Joaquim Chito Rodrigues. «Com 17 anos e para Infantaria. Fui convicto, embora tivesse voluntariamente feito o despeneiranço em Cavalaria. Era uma prova de equitação em que valia tudo menos ficar de pé em cima do cavalo! Eu, que nunca tinha caído, ainda hoje tenho [sorrisos] a marca de uma ferradura na perna esquerda da bota alta... a minha vida militar tem duas vertentes: uma ligada à instrução e ao ensino, a outra às operações e informações» («“Podia ter sucedido em Macau o que aconteceu em Timor”», Manuel Carlos Freire, Diário de Notícias, 28.08.2016, 00h14). Pertence à gíria das escolas militares, sim, mas depois, como se vê, é usado em livros e na imprensa. E o leitor, como fica? A chuchar no dedo. O despeneiranço, como fica explicado, é uma espécie de exame de equitação.

 

[Texto 15 510]

Léxico: «glicocálix»

Desconhecido por cá

 

       Desconhecido, pelo menos, com esta grafia. «Por mais surpreendente que possa parecer, todos nós, incluindo as pessoas mais frias e indiferentes, temos dentro de nós um romântico que nos protege dia e noite no mais íntimo de nosso ser. Ele é um estranho para a maioria, mas não poderíamos viver sem ele: o glicocálix endotelial» («O que é o glicocálix, pouco conhecido órgão humano que se espalha pelo corpo inteiro», Joan Josep Cerdà Pino, Antonio Cerrato Casado, Carles Bona Casas e Joan Masso, BBC News Brasil, 24.09.2021).

      O dicionário da Porto Editora até parece falar de outra coisa em glicocálix: «BIOQUÍMICA camada de hidratos de carbono ligados a proteínas ou lípidos que reveste a parte externa da maior parte das células animais». Não se diz, como afirmam os autores, professores na Universidade das Ilhas Baleares, que é um órgão; que a espessura dessa camada varia entre 0,1 e 1,0 micrómetros (1 milésimo de milímetro); que, ao contrário de alguns outros órgãos, não poderíamos viver sem ele; que está em contacto directo com o sangue, pois cobre internamente todas as artérias e veias do corpo; que num ser humano adulto pesa cerca de 1,4 kg; etc.

 

[Texto 15 509]