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Linguagista

Léxico: «imunofisiologia | imunofisiológico»

Outro par esquecido

 

       «O estudo, publicado na revista científica “Nature”, foi desenvolvido em ratinhos e teve o contributo do imunologista Henrique Veiga-Fernandes, codiretor da linha de investigação no Centro Champalimaud, em Lisboa, e da investigadora Ana Filipa Cardoso, primeira autora do artigo e a fazer o seu pós-doutoramento no laboratório de imunofisiologia liderado por Veiga-Fernandes» («Sistemas nervoso e imunitário trabalham juntos para manter peso e reduzir risco de cancro», Rádio Renascença, 18.08.2021, 17h20).

 

[Texto 15 580]

Definição: «tupia»

É só isso? Não

 

      Há definições que se vê logo que foram redigidas por quem nunca viu o objecto da sua definição. É certamente esta uma das razões para se copiarem definições. Tome-se como exemplo tupia, que quase todos os dicionários definem como a espécie de torno (ou máquina, dizem outros) de fazer molduras. Eh, pá, vão a uma loja de ferramentas ou falem com um empregado da Leroy Merlin, por exemplo, e ficarão com uma ideia mais próxima da realidade. Toda a definição que não diga, pelo menos, que uma tupia é uma ferramenta eléctrica usada em carpintaria que, por meio de fresas, permite o acabamento de bordas, a abertura e ampliação de canais e o recorte em cópia, deixará sempre o falante com a mais pálida das ideias.

 

[Texto 15 579]

Léxico: «feto-arbóreo-australiano»

Também os há cá

 

      «Mesmo no pátio, onde uma sensação mediterrânica parece unir-se a inspirações dos jardins zen – assinado pelos arquitectos João Bicho e Joana Carneiro –, as árvores e vegetação criam divisões de “intimidade”. Além de que pode apreciar a sombra e vista de um grande espinheiro-da-virgínia ou do feto-arbóreo-australiano, entre muitos exemplares de arbustos e herbáceas, com floreiras a diferentes alturas para criar equilíbrio» («No Hotel Valverde revive-se o charme discreto do luxo», Luís J. Santos, «Fugas»/Público, 9.10.2021, p. 12).

 

[Texto 15 578]

Tradução: «vide-grenier(s)»

Pensar mal

 

      Não, a tradutora não tem razão: vide-greniers traduz-se mais correctamente por feira da ladra do que por venda de garagem, como ela fez. Vejamos a definição do Larousse: «Manifestation commerciale, généralement organisée par une municipalité, au cours de laquelle des particuliers vendent de vieux objets.» E ainda temos um terceiro conceito, feira da bagageira. E, se formos ao dicionário do L’Internaute, ficamos com menos dúvidas, pois é definido aí como a «manifestation qui regroupe des particuliers souhaitant vendre des objets de toutes sortes de façon occasionnelle». Ora, isto não acontece numa venda de garagem. Como sempre, basta pensar um pouco.

 

[Texto 15 577]