Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Nódoas indeléveis

Lemos e coramos

 

      «O espanhol Juan Bernabé, falcoeiro oficial da Lazio que durante muitos anos exerceu as mesmas funções no Benfica, com as águias Vitória e Glorioso, foi filmado a fazer uma saudação fascista junto de adeptos do clube, depois da vitória de sábado, diante do Inter, e a formação de Roma já prescindiu dos seus serviços. Bernabé foi apanhado a fazer o gesto num vídeo que circula nas redes sociais, com os adeptos a responderem ‘dulce’, ‘dulce’, título usado por Benito Mussolini e identificado com o fascismo» («Ex-tratador da águia do Benfica despedido pela Lazio após fazer saudação fascista num jogo», Correio da Manhã, 20.10.2021, 14h20).

      Horas e horas depois de o terem publicado, lá continua esta nódoa que devia envergonhar qualquer jornalista. Que cultura deve ter quem escreve isto... («Dulce» porque Juan Bernabé é espanhol; se fosse italiano, teriam dito «dolce».)

 

[Texto 15 595]

Léxico: «desfardamento»

O tempo da desconstrução

 

      «“O edifício tem três blocos, sendo que a desconstrução vai ser iniciada no mais pequeno, passando depois para o poente e nascente, atualmente em fase de “desfardamento” (remoção de todos os materiais não inertes, madeiras, alumínios, vidros, metais, para serem reutilizados ou reciclados). Os trabalhos podem decorrer em simultâneo dado que são obras estanques”, explicou Tiago Delgado [vice-presidente da VianaPolis]» («Máquina tritura 15 mil toneladas de materiais do prédio Coutinho em Viana», O Minho, 19.10.2021, 14h33).

      O léxico da construção já quase o dominamos (se nos esquecermos da carpintaria...). Agora é tempo para apreendermos o léxico da desconstrução.

 

[Texto 15 594]

Léxico: «subvariante»

O habitual

 

      «Até ao momento a nova variante é conhecida como AY. 4.2 e está a ser tratada como uma subvariante da Delta, mas poderá vir a ser classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma variante autónoma, com a sua própria designação» («Nova variante da Covid-19 gera preocupação no Reino Unido», João Cunha e Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 20.10.2021, 9h26).

      Para aquilatar da necessidade de dicionarizar tudo, basta ver que neste mesmo artigo que cito aparecia também mal grafado. Enfim, o desmazelo e falta de perspicácia a que já nos habituaram.

 

[Texto 15 593]

Léxico: «itinerar»

Alguém tem de avançar

 

      «Resultado de uma encomenda do Guggenheim de Nova Iorque, em 2011, “Sanatorium” é uma peça histórica no seu percurso e uma das que mais atenção internacional lhe granjeou tendo itinerado amplamente desde então. Trata-se de uma proposta de instalação-performance que mimetiza uma clínica psiquiátrica, oferecendo 10 terapias (uma é online) das quais os visitantes podem escolher duas» («Sanatorium, Pedro Reyes», Celso Martins, «Revista E»/Expresso, 30.07.2021, p. 77).

      Não podemos estar sempre a dizer que está bem formado, que o reconhecemos por via de itinerante, mas que não tem sido usado — ei-lo aqui e, no que me diz respeito, já o usei esta semana. Enfim, proporcionou-se, não forcei nada. Podia glosar aqui o que afirmou o director regional de Saúde da Madeira a propósito de no continente não se avançar com a vacinação de crianças entre os 12 e os 15 anos: «Os vírus adoram países com muitos peritos, porque demoram muito tempo a decidir.»

 

[Texto 15 592]