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Linguagista

Léxico: «complutense | castelo-manchego»

Pelo menos um

 

      «No parador complutense e a sua histórica Hostería del Estudiante (albergue de estudantes) é obrigatório provar pratos típicos da cozinha castelo-manchega com alusões à gastronomia do Século de Ouro, juntando a tradição da cozinha de autor e de vanguarda» («À mesa dos paradores nas cidades Património da Humanidade», «Revista E»/Expresso, 23.07.2021, p. 18). Quanto a complutense, não o tens, Porto Editora. No que respeita a castelo-manchego, nenhum dicionário ou vocabulário por mim consultado o registava. Em castelhano, é castellanomanchego.

 

[Texto 15 611]

Léxico: «eclesiogénese»

Coisas da Igreja

 

      «Na mesma linha, o teólogo venezuelano Rafael Luciani, assessor da Comissão Teológica do Sínodo, lembra que a sinodalidade é o “princípio operativo que desencadeia um processo de eclesiogénese”, ou seja, um caminho de (re)construção da Igreja, que a faça repensar a sua identidade, configuração e missão» («(Re)construir uma Igreja sinodal», Além-Mar, editorial, Novembro de 2021, p. 5).

 

[Texto 15 609]

O plural dos apelidos

Lembremo-lo de novo

 

      Mais uma vez, porque a batalha não está ganha, nem nada que se pareça: «Os filhos e netos dos Fragas Botelhos, dos Vieiras Cabrais, dos Silvas e Quirogas, dos Brandões, Toscanos, Abreus, Sotto-Mayores, Taipas, Lagos, Azevedos, Borges, Freires, e muitos mais ilustríssimos apelidos daquele viveiro e seminário da fidalguia portuguesa, comemoravam com desculpável vaidade o primor de seus antepassados na esgrima de espada e lança, no brilhantismo das armas, nas galas das librés e guarnições, nas pompas dos carros, no garbo dos ginetes arreados de ouro e prata, e — terminando por onde devêramos principiar — na louçania das damas inspiradoras das incruentas proezas» (O Santo da Montanha, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 1972, pp. 57-58). Devia ser ao contrário, mas somos nós que nos devemos refocilar aqui e não alguns dos gramáticos que nos calharam em sorte.

 

[Texto 15 608]

Definição: «escarear | escareador», de novo

Reformulando

 

      Gramatical e tecnicamente, não. A culpa, porém, também foi minha, porque a definição que citei estava igualmente incompleta. Para escareador, proponho a seguinte redacção: «instrumento próprio, para usar em berbequim manual ou eléctrico, para cravar prego ou parafuso numa peça, de modo que fique com a cabeça ao nível da superfície perfurada ou mais abaixo». Para o verbo, adapte-se.

      O que há aqui de diferente? Bem, por mero acaso, acaba de me chegar um conjunto de sete escareadores para madeira. Estes que comprei têm uma característica que não está contemplada na definição: o parafuso não é para ficar à face da madeira, mas bem mais abaixo, porque no orifício aberto, para ocultar a cabeça do parafuso, vou cravar uma cavilha ou taco de madeira que terá cola branca. O que sobrar, corto-o com uma serra japonesa (uso uma da Suizan). A diferença está numa gola (como se diz na embalagem, mas a que noutros sítios dão o nome de limitador) de aço, uma argolinha, que permite que o início do furo, mais largo, tenha maior ou menor (tem dois níveis, reguláveis por meio de uma chave sextavada) profundidade. Assim, a cabeça do prego ou do parafuso pode ficar ou não (ou mais ou menos) à superfície.

 

[Texto 15 607]

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