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Linguagista

Tradução: «spokeshave»

Coisas mal sabidas

 

      Outro mistério: no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, spokeshave é traduzido como «rasoira», termo que, nesta acepção, eu desconhecia. A questão é se alguém o conhece ou usa. Agora tentem isto, senhores lexicógrafos: mostrem a imagem abaixo numa qualquer loja de ferramentas. «Ah, é um raspador», dirão alguns. «Ah, isso é um corta-chefe», elucidarão outros. Se forem ao Brasil, não é improvável que um marceneiro os informe de que se trata de um boxequim. Nos dicionários, também este não consta. Rasoira, só conhecia as que o meu avô Manuel Maria usava no armazém de cereais para retirar o que sobrava das medidas.

 

[Texto 15 649]

Corteché.png

 

Léxico: «copita»

Fecham-se em copas

 

      Podemos vê-la e comprá-la (por vezes, com sorte, prová-la) nos supermercados, mas está ausente de todos os dicionários: a copita, um enchido feito em Barrancos, que se come cru, como aperitivo, feito da carne do cachaço do porco. Isso mesmo, os dicionários fecham-se em copas.

 

[Texto 15 648]

Definição: «contraferro»

Fitas e mentiras

 

      Será mesmo brasileiro o termo contraferro? Não me rala muito que se afirme que sim, mas não deixa de me espantar, num grau que eu já julgava impossível, que a definição do vocábulo no dicionário da Porto Editora seja ipsis verbis (influxo do Espírito Santo?) a do brasileiro Michaelis: «chapa sobre o ferro de uma plaina, que facilita o escoamento das fitas». Fitas... Até dizemos fitas — mas será uma vez em mil, as restantes 999 dizemos aparas. Se formos poetas, virutas. Por outro lado, não vejo explicitamente nos dicionários o ferro — o nome que habitualmente se dá à lâmina destes instrumentos, como plainas, garlopas e guilhermes (que tudo são plainas, mas de diferente tamanho) — a que encosta este contraferro.

 

[Texto 15 647]