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Linguagista

Léxico: «aparadeira»

Aqui não há doentes

 

      «Leandro, traz aqui depressa a aparadeira azul.» A Porto Editora deduz logo que os interlocutores são enfermeiros. Se apostasse, perdia. Naquela oficina não há acamados (mas, por vezes, têm de se deitar debaixo dos carros), apenas mecânicos, e os objectos dos seus cuidados, automóveis a precisar de reparação. As aparadeiras que usam são de plástico e servem para aparar o derrame de óleo e outros fluidos. Ah, sim, aparadeira também é outro nome para a curiosa, a parteira não diplomada. É só aparar, o que, por vezes, até polícias e bombeiros fazem.

 

[Texto 15 731]

Léxico: «fuxico | sambadense»

Quase retalhos

 

      Quis mostrar-nos a colcha de fuxicos. «Herança de família com mais de cem anos. É um trabalho totalmente artesanal.» Não gostei. Como não gostei de ver que o dicionário da Porto Editora desconhece esta acepção de fuxico. Foi no Verão de 2019 que se realizou uma exposição de trabalhos de fuxicos no Centro de Interpretação do Território de Sambade, em Alfândega da Fé. Esta técnica artesanal, que teve origem no século XIX, consiste no aproveitamento de restos de tecidos. As artesãs eram senhoras sambadenses.

 

[Texto 15 730]