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Linguagista

Ecólogo e ecologista, a trapalhada

E de quem é a culpa?

                                                            

      Na emissão de 27 de Novembro do programa Os Dias do Futuro, na Antena 1, a entrevistada foi Maria Amélia Loução, Prémio Ciência Viva 2021. Entre muitas outras coisas, falou da enorme trapalhada na sociedade e nos dicionários entre os conceitos de ecólogo e ecologista. No dicionário da Porto Editora, por exemplo, são apresentados como sinónimos puros. Ora, só o ecólogo é especialista em ecologia; o ecologista é o activista. O ecólogo pode ser também activista — e então é também ecologista. O contrário não pode acontecer: um ecologista, que pode ser um absoluto leigo em matérias científicas da ecologia, não se pode intitular ecólogo. Voltando a ti, Porto Editora, não podes escrever, em ecólogo, «especialista em ecologia; ecologista». Tem de desaparecer daqui o «ecologista». De ecologista, por sua vez, não podes dar esta definição: «que ou pessoa que se dedica ao estudo da ecologia; especialista em ecologia; ecólogo». Vamos ser rigorosos.

 

[Texto 15 735]

Léxico: «farolada | cervídeo»

Observação nocturna

 

      O Linha da Frente estava na terça-feira «No Reino dos Veados», com o jornalista Luís Henrique Pereira. Acompanhava Carlos Fonseca, da Unidade de Vida Selvagem da Universidade de Aveiro numa observação de cervídeos na serra da Lousã, onde o repórter assistiu a uma farolada, que é um dos métodos de detecção de fauna, com transectos nocturnos com o auxílio de potentes projectores. Isto, que se ouve na televisão, que se lê em trabalhos académicos e é dito entre os especialistas, ainda não chegou a nenhum dos nossos dicionários.

 

[Texto 15 734]

Léxico: «alcôncoras(s)»

Falta o principal

 

      «A sobremesa foram alcôncoras, um bolo seco confeccionado apenas com mel, azeite, açúcar amarelo e farinha, que ainda se pendura nos mastros de promessa das festas dos Santos Populares da região» («Odemira. Pelas antigas escolas primárias à descoberta da cultura e das gentes», Matilde Durães, «Fugas»/Público, 6.11.2021, pp. 12-13). O dicionário da Porto Editora apenas acolhe alcâncara, «regionalismo biscoito feito de massa de pão e gordura». Parece ser o mesmo, mas se concorreu, por Odemira, às Sete Maravilhas Doces de Portugal com o nome alcôncoras, já se está a ver qual será, em princípio, a grafia correcta. Neste caso, nem Rebelo Gonçalves nem José Pedro Machado nos podem ajudar. Seja como for, da definição não pode estar ausente o formato.

 

[Texto 15 733]

Léxico: «zebrano | zingana»

Porque lembra a zebra

 

      Uma madeira que eu considere das mais bonitas e tu desconheças, Porto Editora? Não me puxes pela língua. Ah, está bem. Esta: zebrano, da árvore africana, Microberlinia brazzavillensis, que lhe dá nome. Já estás a ver porque tem este nome. Como se vê, o cerne é amarelo-dourado-claro, com veios castanho-escuros ou quase preto. É uma madeira pesada, dura, de textura grossa, usada para móveis de luxo. Como é vendida com este nome (e zingana) em estâncias de madeiras e importadores nacionais, além de que encontramos o termo em livros publicados em português, não estar em todos os dicionários parece-me um erro.

 

[Texto 15 732]

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